A trajetória política do senador Sergio Moro em relação ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro é marcada por rompimentos públicos, ataques duros e, mais recentemente, uma reaproximação. Hoje, o ex-ministro volta a orbitar o campo bolsonarista e já aparece como pré-candidato ao governo do Paraná com apoio do PL.
A relação começou de forma próxima em 2018, quando Moro aceitou o convite para ser ministro da Justiça. O cenário mudou em abril de 2020, quando ele pediu demissão após a exoneração do então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo.
Na ocasião, Moro acusou Bolsonaro de tentativa de interferência política na PF, alegando que o presidente buscava acesso a informações sigilosas. Bolsonaro negou irregularidades e afirmou que a troca era uma prerrogativa do cargo. O episódio gerou um racha público e institucional.
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Após a saída do governo, Moro passou a ser tratado como adversário político. Bolsonaro chegou a chamá-lo de “traíra e mentiroso”, enquanto aliados e filhos do ex-presidente intensificaram críticas. O senador Flávio Bolsonaro e outros integrantes da família passaram a associar Moro a termos como “traidor”, “ingrato” e “anticristão”, em uma estratégia para conter seu avanço entre eleitores de direita. Nesse período, Moro também tentou se posicionar como alternativa fora do bolsonarismo, o que ampliou o distanciamento.
A reaproximação começou em 2022, durante o segundo turno das eleições presidenciais, quando Moro declarou apoio a Bolsonaro contra Luiz Inácio Lula da Silva. A convergência se deu por interesse eleitoral e oposição ao PT, marcando o início de um novo alinhamento entre os grupos.
O movimento mais recente consolida essa reaproximação. Moro se reuniu com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e avançou em um acordo político para disputar o governo do Paraná com apoio da sigla. O entendimento prevê que o partido apoie sua candidatura, enquanto o senador se compromete a garantir palanque no estado para Flávio Bolsonaro, que também se articula nacionalmente.
O ex-juiz federal deverá, inclusive, ingressar no partido de Jair Bolsonaro. Em gesto simbólico, Moro chegou a defender Valdemar durante sessão no Senado, o que foi interpretado como sinal claro de alinhamento.
Flávio Bolsonaro reforçou publicamente o novo momento ao chamar Moro de “amigo” e “pré-candidato”, afirmando que ele compartilha das mesmas pautas do grupo. Do outro lado, Moro respondeu com sinalização de parceria política, indicando disposição de atuar em conjunto.
A aliança ocorre em meio a um impasse entre o PL e o PSD. O governador do Paraná, Ratinho Júnior, resistiu a abrir mão de uma candidatura presidencial, o que travou negociações e levou o PL a buscar uma alternativa no estado. Ao mesmo tempo, Moro enfrenta dificuldades dentro do União Brasil, diante da possível federação com o PP e de resistências internas à sua candidatura, o que aumentou sua aproximação com a legenda de Valdemar.
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Embora a filiação ao partido ainda não esteja formalizada, Moro já atua politicamente alinhado à sigla no Paraná. A trajetória recente evidencia uma mudança significativa: o que começou com ruptura e acusações públicas evoluiu para uma reaproximação eleitoral e, agora, para um alinhamento estratégico. A relação deixa para trás o discurso de “traição” e passa a ser guiada por interesses políticos e eleitorais.




