Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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É ano de Copa, não de eleição – isso para Alcolumbre, dono do futuro da 6×1

Após vitória na Câmara, futuro da PEC 6×1 depende mais de Davi Alcolumbre do que da pressão popular

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(Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

A pauta do fim da escala 6×1, retomada nos últimos anos pelo PSOL e gradualmente incorporada pelo governo Lula como parte de uma agenda de forte apelo popular, ganhou tração definitiva no Congresso após passar a ser tratada como prioridade pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Influenciado pela aliança política com o governo Lula na Paraíba e atento à própria pré-campanha de reeleição para a Câmara dos Deputados, Motta apostou suas principais fichas em uma matéria de amplo alcance popular e diante da qual poucos parlamentares se mostram dispostos a votar contra.

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O placar expressivo da votação desta semana evidencia não apenas a força do tema junto à opinião pública, mas também o sucesso da estratégia política e da condução adotada pelo presidente da Câmara, que buscou se afastar da imagem frequentemente associada ao Centrão de resistência a pautas trabalhistas e sociais.

No Senado, porém, o cenário tende a ser mais complexo. Apesar de sinais públicos de menor resistência por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a posição real do senador sobre a PEC começará a ficar mais clara apenas agora, quando a proposta entra efetivamente na órbita do Senado Federal.

A tendência é que Alcolumbre faça uma leitura muito mais política do que eleitoral — e até mesmo mais política do que propriamente de mérito da proposta. O presidente do Senado deve calibrar sua atuação conforme a pressão exercida por bancadas setoriais, pela oposição e por senadores ligados ao empresariado, especialmente diante das preocupações do setor produtivo com os impactos econômicos da medida.

O próprio calendário eleitoral ajuda a explicar essa diferença de postura entre Câmara e Senado. Enquanto deputados (incluindo o próprio Dep. Hugo Motta, presidente da Câmara) entram em 2026 sob forte pressão direta do eleitorado, Alcolumbre foi eleito em 2022 e ainda possui quatro anos de mandato pela frente. Como os senadores têm mandatos de oito anos e o Senado funciona em sistema de renovação alternada, o presidente da Casa não estará submetido à mesma pressão eleitoral imediata enfrentada pelos deputados federais.

Do ponto de vista das pressões setoriais, os nomes de senadores sondados para serem os relatores do projeto no Senado, até o momento, caminham justamente nessa direção, com nomes de perfil mais próximo ao empresariado e potencialmente mais inclinados a discutir ajustes no texto aprovado pela Câmara, especialmente em relação às regras de transição.

Isso, porém, não significa necessariamente que o Senado alterará a proposta. O fator decisivo para definir o destino da PEC será, sobretudo, a relação política entre Lula e Alcolumbre após os ruídos recentes entre Palácio do Planalto e Senado Federal — em especial a articulação do presidente da Casa contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

O espaço político para que o Senado simplesmente prolongue a tramitação da matéria, como já ocorreu com outros temas sensíveis, parece hoje significativamente menor. O tamanho da mobilização social em torno do fim da escala 6×1 elevou o custo político de qualquer movimento percebido como tentativa de esvaziar ou enterrar a proposta.

Além disso, o cenário político mudou rapidamente nas últimas semanas. Quando articulou contra Jorge Messias, Alcolumbre enxergava um presidente Lula enfraquecido, pressionado nas pesquisas e diante do crescimento de seus principais adversários. Pouco tempo depois, porém, o quadro se alterou. Impulsionado pelo fator “dark horse” da eleição de 2026, Lula voltou a liderar pesquisas e retomou a condição de favorito à reeleição.

Nesse contexto, qualquer movimento de confronto direto com o Palácio do Planalto passa a exigir cálculo ainda mais cuidadoso.

Para Alcolumbre, que certamente trabalha para viabilizar mais um biênio à frente da presidência do Senado a partir de 2027, a PEC da escala 6×1 pode acabar sendo menos uma discussão trabalhista e mais um teste decisivo de posicionamento político no novo tabuleiro de 2026.

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