A desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR), da corrida presidencial de 2026 redefine o tabuleiro eleitoral e a busca por uma possível terceira via na disputa contra entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele anunciou nesta segunda-feira (23) que cumprirá o mandato até dezembro e voltará ao setor privado, abrindo espaço para uma disputa interna entre Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Eduardo Leite (PSD-RS).
A movimentação expõe como o PSD pretende se posicionar em 2026: com um candidato de perfil moderado, capaz de atrair eleitores insatisfeitos com a polarização. Segundo Gilberto Kassab, presidente do partido, a escolha deve ocorrer até o fim de março. Em publicação nas redes sociais, Kassab citou os dois governadores como possíveis nomes, mas nos bastidores Caiado é apontado como favorito.
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Caiado ganha força como alternativa ao centro-direita
A saída de Ratinho Jr. reduz a capilaridade do PSD no Sul, mas concentra forças em Caiado, que já vinha construindo uma narrativa de gestor eficiente e crítico tanto de Lula quanto de Bolsonaro. O governador de Goiás tem apostado em um discurso de renovação política e combate à corrupção, tentando ocupar o espaço de terceira via que ficou vago desde 2022.
Na prática, Caiado representa uma aposta do PSD em um perfil com trânsito no agronegócio. Já Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, oferece uma imagem mais moderada e ligada a pautas sociais progressistas, como a defesa dos direitos LGBTQIA+. A escolha entre os dois definirá qual eleitor o partido pretende conquistar: o conservador pragmático ou o liberal de costumes.
Pressão regional derrubou planos nacionais de Ratinho Jr.
A desistência de Ratinho Jr. reflete a força das dinâmicas regionais na política brasileira. O movimento foi diretamente impactado pela entrada do senador Sergio Moro, que se filia ao PL nesta terça-feira (24) para disputar o governo do Paraná.
Moro lidera as pesquisas de intenção de voto no estado e conta com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.
Moro se filia ao PL e monta chapa com Dallagnol
O senador Sergio Moro, hoje no União Brasil, vai disputar a eleição filiado ao PL (Partido Liberal). O ex-juiz disputará a eleição pelo governo do Paraná. Segundo dirigentes da legenda, a decisão foi tomada após Moro ficar sem espaço para disputar o Palácio Iguaçu pelo União Brasil.
Nas últimas horas, o Novo aceitou compor a coligação junto ao PL no estado. Assim, Moro deve ter ao seu lado Deltan Dallagnol, que concorrerá ao Senado. A chapa com o ex-juiz e o ex-procurador teria, portanto, duas figuras de protagonismo da operação Lava Jato (investigação que combateu esquemas de corrupção envolvendo políticos e empresários).
Também disputará o Senado pela chapa o deputado federal Filipe Barros (PL). A federação entre União Brasil e PP, parte da base de Ratinho Jr. no Paraná, complicou a candidatura de Moro pelo União. O PL ofereceu uma alternativa viável para o ex-juiz manter suas ambições políticas no estado.
Cenário de 2026 ainda em construção
Por que isso importa? A desistência de Ratinho Jr. mostra como disputas estaduais podem afetar projetos nacionais. Para o eleitor paranaense, a entrada de Moro no PL promete uma disputa acirrada pelo governo do estado. Para o país, a escolha do PSD entre Caiado e Leite pode redefinir alianças e estratégias de campanha para 2026.




