O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta sexta-feira (29/05) por ter articulado junto ao governo de Donald Trump a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi anunciada oficialmente pelo Secretário de Estado americano Marco Rubio na quinta.
Segundo Lula, o senador agiu contra os interesses nacionais ao buscar apoio estrangeiro para uma questão de segurança pública interna. Em discurso, o presidente afirmou ter passado três horas com Trump e entregado quatro documentos ao líder americano.
“Eu tive três horas com o presidente Trump, entreguei quatro documentos a ele. O sr. Marco Rubio (Secretário de Estado dos EUA) não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado para ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente.
“Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles [apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro] ficavam presos lá”, emendou Lula.
Encontro na Casa Branca
Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca na terça-feira (27/5) e se reuniu com Trump. O encontro antecedeu o anúncio de Rubio sobre a classificação das duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas — uma designação formal que, no direito americano, abre caminho para sanções financeiras e restrições a entidades que mantenham relações com os grupos.
Aliados do senador comemoraram a medida como uma vitória política. Flávio Bolsonaro argumentou que o PCC e o CV atuam como governos paralelos dentro do Brasil, o que justificaria a pressão internacional.
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Temor de efeito bumerangue
Dentro do governo federal, a reação foi de preocupação. Integrantes da gestão Lula e diplomatas brasileiros manifestaram receio de que as sanções americanas possam gerar consequências negativas para o comércio exterior do país — o chamado efeito bumerangue, em que uma medida pensada para pressionar grupos criminosos acaba atingindo empresas e transações legítimas.
O Palácio do Planalto também sinalizou preocupação com possíveis interferências na soberania nacional. Para o governo, tratar segurança pública brasileira como pauta a ser resolvida com apoio de Washington representa uma violação dos limites diplomáticos.




