A Receita Federal registrou arrecadação de R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026. O valor representa o maior montante já contabilizado para o mês desde o início da série histórica em 1995. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24/03).
O montante de fevereiro de 2026 supera em 5,7% o valor arrecadado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados R$ 210,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação. O crescimento real marca 32 anos de registros da Receita Federal.
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A Receita Federal atribui o desempenho ao crescimento da arrecadação da contribuição previdenciária. O órgão destaca também os resultados das arrecadações do PIS/Cofins, do IRRF-Capital e do IOF. O tributo IOF teve aumento no ano passado.
O recorde está relacionado com o crescimento da economia brasileira. Os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também contribuíram para o resultado.
Mudanças tributárias implementadas
A equipe econômica do presidente Lula implementou diversas alterações tributárias. A alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das “offshores” (exterior) está entre as medidas adotadas.
O governo promoveu mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados. O aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 foi mantido desde então.
Outras medidas incluem o imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas). A reoneração gradual da folha de pagamentos entrou em vigor. O fim de benefícios para o setor de eventos (Perse) foi implementado.
O governo iniciou a taxação das bets. O IOF sobre crédito e câmbio teve aumento. A tributação dos juros sobre capital próprio foi elevada.
Resultado do primeiro bimestre
A arrecadação federal somou R$ 547,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026 sem correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, o total alcançou R$ 550,2 bilhões nos dois primeiros meses do ano.
O valor representa crescimento real de 4,41% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram arrecadados R$ 526,9 bilhões. O montante do primeiro bimestre de 2026 também configura recorde histórico para a arrecadação federal no período.
Meta fiscal para 2026
A meta fiscal para 2026 estabelece saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor corresponde a cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, prevê intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
A meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero. O cumprimento também ocorrerá se o governo chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O arcabouço fiscal permite que o governo retire R$ 57,8 bilhões em despesas desse cálculo. Esses recursos podem ser usados para pagar precatórios (gastos com sentenças judiciais).
Na prática, a previsão é que o governo tenha rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026. O resultado negativo ocorrerá mesmo que, para o cálculo oficial da meta, o governo apresente resultado positivo.
O governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026. A arrecadação federal abrange todo o território nacional. Os dados foram divulgados pela Receita Federal em Brasília.




