Recentemente, em 14 de março deste ano, faleceu o filósofo alemão Jürgen Habermas, um dos grandes nomes da filosofia do século XX e um dos representantes da famosa escola de Frankfurt.
Habermas era um filósofo que cresceu em um ambiente do pós-guerra alemão, a superação do nazismo e com aquela preocupação típica de muitos alemães da época de nunca mais a barbárie.
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E, portanto, ele construiu uma filosofia extremamente sofisticada, baseada na seguinte premissa: Nós somos capazes de levarmos uma conversa racional, argumentarmos de forma racional e essa capacidade é que torna a democracia possível.
Se as instituições não forem compostas de pessoas racionais que estão dispostas a superar a própria posição em nome de um argumento melhor, a democracia não tem salvação.
É evidente que olhando essa ideia a partir de hoje, a impressão que tem é que o Habermas era um grande filósofo, porém muito ingênuo, ou tinha uma expectativa muito maior do que nós somos capazes de realizar.
Vivendo em pleno século XXI hoje, o que a gente menos vê é a possibilidade das pessoas ou instituições entrarem em um acordo em busca de um argumento mais racional.
Pelo contrário, o que se vê é todo mundo mentindo, todo mundo passando fake news, todo mundo ideológico, todo mundo polarizado.
E a ideia do Habermas de uma democracia construída a partir de seres adultos, irracionais e bem intencionados, parece ter ido parar na lata de lixo da história.
Não se trata de ser pessimista. Trata-se apenas de olhar à sua volta, olhar nas redes sociais, olhar os políticos disponíveis em vários países, olhar a decadência sistemática que as instituições democráticas têm passado no mundo.
Nada de dizer que existe algum regime melhor do que a democracia. Sem dúvida nenhuma, a democracia é o melhor regime que a gente conhece.
Talvez os seres humanos não estejam à altura da democracia que o Habermas tinha em mente, porque a razão, coitada, é a mais escorraçada no mundo, em que o que manda é a mentira, as paixões tristes e os interesses.