Entenda o que é o ‘silêncio digital’ total imposto por Moraes a Bolsonaro

Além do uso de tornozeleira, ex-presidente está proibido de acessar redes sociais e de se comunicar por telefone, mesmo por meio de terceiros

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (24/03) que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra 90 dias de prisão domiciliar humanitária para se recuperar de uma broncopneumonia. No entanto, a liberdade temporária do ambiente prisional da “Papudinha” não significa um retorno à vida pública.

Para garantir que a saída para tratamento médico não interfira nas investigações, o magistrado impôs um conjunto de restrições severas que visam o isolamento comunicacional do ex-presidente.

Acompanhe tudo o que acontece no Brasil e no mundo: siga a TMC no WhatsApp

Diferente de uma convalescença comum, Bolsonaro está sob um regime de “apagão digital”. As regras estabelecidas por Moraes incluem:

  • Sem smartphones: o ex-presidente está proibido de utilizar celulares, tablets ou qualquer outro meio de comunicação eletrônica.
  • Veto às redes sociais: não é permitida a publicação de postagens, mesmo que realizadas por assessores ou familiares em seu nome.
  • Proibição de gravações: Bolsonaro não pode gravar vídeos ou áudios para difusão externa.
  • Terceiros monitorados: a decisão veda expressamente a comunicação “mesmo que por meio de terceiros”, o que limita o papel de interlocutores políticos.

Além do silêncio digital, o monitoramento físico será feito por tornozeleira eletrônica. O uso do equipamento é um ponto sensível no histórico do ex-presidente: em novembro de 2025, ele chegou a ter a prisão preventiva decretada justamente por violar as regras da tornozeleira enquanto estava em domicílio.

Por que o rigor?

A severidade das medidas reflete o estágio da execução da pena. Bolsonaro foi condendo a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpriu, até o momento da internação, apenas 119 dias de detenção — o que representa menos de 1% do total da pena.

Moraes ressaltou que, embora o ambiente doméstico seja o mais indicado para a recuperação de um idoso com o sistema imunológico fragilizado, a manutenção das cautelares é necessária para o cumprimento da dignidade da justiça. Após o prazo de 90 dias, a condição de saúde será reavaliada por perícia médica para decidir se ele retorna ao regime fechado na Papudinha.

Leia mais: Prisão domiciliar de Bolsonaro divide deputados após decisão do STF

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 07.577.172/0001-71