A Páscoa de 2026 deve levar cerca de 106 milhões de brasileiros às compras, segundo levantamento da CNDL e do SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas, reforçando a força da data para o varejo. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, o consumo segue firme — mas com um perfil mais planejado e consciente.
De acordo com o estudo, 65% dos consumidores pretendem comprar, um aumento de 4,2 milhões de pessoas em relação ao ano passado. Entre eles, 82% devem pesquisar preços antes de decidir, evidenciando um comportamento mais racional. O ticket médio estimado é de R$ 253, com cerca de cinco itens por consumidor.
Para o economista Patrick Santos, “o consumidor não abre mão dos rituais simbólicos, mas reorganiza prioridades diante das restrições financeiras”, o que cria um padrão de consumo mais equilibrado, combinando celebração e moderação.
O cenário, porém, ainda reflete dificuldades: 51% dos que não pretendem comprar dizem priorizar o pagamento de dívidas. Ainda assim, o consumo não desaparece — ele se adapta. Entre os que vão às compras, 38% estão com contas em atraso e, desses, 75% já estão negativados, mostrando que o brasileiro busca manter a tradição dentro do possível.
Outro destaque é o comportamento híbrido. Embora 62% pesquisem preços online, 95% das compras devem ocorrer em lojas físicas, reforçando o peso da experiência presencial em uma data de forte apelo emocional.
Consumo imediato x mudança estrutural
Se no curto prazo o consumo resiste, no longo prazo o cenário aponta transformação. Estudo da Croma Consultoria indica que 47% dos brasileiros pretendem reduzir o consumo de chocolate nos próximos 12 meses, impulsionados pela busca por uma alimentação mais saudável.
A tendência não é de abandono, mas de adaptação: cresce a preferência por opções com menos açúcar, produtos artesanais e itens com apelo funcional.
Segundo Patrick Santos, os movimentos se complementam. “O consumidor mantém datas importantes como a Páscoa, mas no dia a dia adota escolhas mais conscientes, unindo prazer, პასუხისმგabilidade financeira e saúde”, afirma.
Outro dado relevante é o avanço do chamado “autopresente”: 33% dos consumidores pretendem comprar chocolates para si mesmos, refletindo mudanças culturais ligadas ao autocuidado e à valorização individual.
A Páscoa de 2026, portanto, marca um novo momento do consumo brasileiro: mais estratégico no curto prazo e mais transformador no longo. Entre dívidas, preços e novas prioridades, o brasileiro segue celebrando — mas de forma cada vez mais consciente e seletiva.
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