O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (02/04) praticamente estável, com leve alta de 0,05%, aos 188.052,02 pontos, somando apenas 99,11 pontos. O pregão foi uma verdadeira montanha-russa: o índice abriu em queda acentuada, chegou a virar para o positivo acompanhando a melhora nas bolsas americanas, mas perdeu fôlego no fim da tarde.
O mercado brasileiro demonstrou notável resiliência frente ao estresse global, consolidando um trimestre de forte apetite estrangeiro apesar do caos geopolítico.
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O grande vetor de instabilidade foi o pronunciamento do presidente americano, Donald Trump. Ao contrário do tom pacificador esperado, Trump adotou uma postura incisiva, afirmando que os ataques serão intensificados contra usinas e campos energéticos iranianos. A fala frustrou investidores que apostavam em um cessar-fogo iminente, fazendo o petróleo Brent e o WTI operarem novamente acima dos US$ 100, com picos de US$ 110, reacendendo o temor de um choque inflacionário persistente.
Para Alison Correia, analista e co-fundador da Dom Investimentos, o dilema de Trump ficou evidente. “Ele já machucou muito o governo iraniano, mas se sair agora, não sai vitorioso. O Estreito de Ormuz está sob controle iraniano, com cobrança de pedágios milionários por navio. A popularidade de Trump cai a cada dia e ele avisou que a gasolina vai subir. O mercado estressou porque ele indicou que vai até o fim, o que afasta uma resolução rápida”, analisa Correia.
Ele destaca que, embora os EUA enfrentem risco de estagflação, o Brasil segue atraindo o gringo, que já aportou mais de US$ 40 bilhões na nossa bolsa.
Petróleo X juros futuros
A dinâmica do mercado refletiu exatamente essa queda de braço geopolítica. De um lado, as petroleiras ganharam tração com a valorização do óleo; de outro, os setores sensíveis aos juros sofreram com a abertura das curvas de DI, reflexo da perspectiva de guerra prolongada. Fernando Bresciani, do Andbank, observa que, apesar do recuo do minério de ferro, a Petrobras avançou, enquanto a PetroRio figurou entre as maiores oscilações do dia.
Bruno Shahini, especialista da Nomad, pontua que a virada do índice ao longo da tarde refletiu a deterioração externa. “A ausência de avanços concretos no discurso de Trump elevou a incerteza e reduziu o apetite por risco. No Brasil, isso se traduziu na abertura dos DIs e na reversão parcial dos ganhos da bolsa. O movimento reflete uma devolução dos ganhos recentes diante de um cenário ainda indefinido”, explica Shahini. Entre as maiores quedas, destacaram-se construtoras como Cyrela, Cury e MRV, castigadas pelo estresse na renda fixa.
Dólar tem leve alta
O dólar comercial encerrou o dia em leve alta de 0,05%, cotado a R$ 5,159. A moeda chegou a tocar a máxima de R$ 5,194, impulsionada pelo fortalecimento global da divisa americana como “porto seguro” após as ameaças à infraestrutura energética do Irã.
Apesar da pressão, o real continua sendo uma das moedas com melhor desempenho no ano. Alison Correia reforça que os juros domésticos atrativos e o fluxo estrangeiro contínuo seguram a cotação. Contudo, o cenário para o mês de abril promete ser tão volátil quanto março.
Com o feriado à frente, as atenções se voltam para o Payroll (dados de emprego nos EUA), que deve ser divulgado amanhã e pode trazer novos indícios sobre a saúde da economia americana em meio à inflação alta.
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