As discussões sobre o fim da escala 6×1 são tão delicadas que causam divergências até mesmo dentro dos partidos no Congresso Nacional. Nesta terça-feira (7/04), dois deputados do PL apresentaram seus pontos de vista, contra e a favor da redução de jornada, em entrevista à TMC.
Luiz Carlos Motta, de São Paulo, defende o fim da escala 6×1, principalmente no comércio, setor com o qual tem ligação mais estreita.
“Sou da categoria dos comerciários (estou licenciado no momento). Sofremos muito com essa questão, de trabalhar de segunda a segunda, sem descanso semanal. Eu defendo a redução da jornada de trabalho, cinco dias trabalhados e dois de descanso”, afirmou, em entrevista nesta manhã.
Para o parlamentar, a escala 5×2 vai trazer benefícios para trabalhadores e empregadores. “No setor do comércio, o trabalhador, trabalhando mais descansado, mais qualificado, vai produzir muito mais. Temos outras categorias que tem escala 12×36. O setor da saúde já tem escala de 36 horas semanais. No comércio, precisamos discutir isso melhor, a carga de horário é muito extensa. São 44 horas semanais, mas os trabalhadores trabalham muito mais (na prática)”, declarou o deputado à TMC.
Motta projeta dificuldades para o setor encontrar profissionais dispostos a trabalhar aos domingos e feriados. E aposta na qualificação para melhorar a situação geral dos trabalhadores.
“Na Federação dos Comerciários, estamos qualificando muitos trabalhadores. O ramo de supermercados está encontrando dificuldade para contratar pessoas para trabalhar aos domingos e feriados. Precisamos qualificar e discutir bastante essa questão. Muitas empresas do ramo do comércio já estão fazendo escala 5×2. No Espírito Santo, parece que os trabalhadores de supermercado não estão mais trabalhando aos domingos. A parte patronal precisa ter um pouco mais de criatividade”, ponderou.
Leia mais: CCJ da Câmara debate fim da escala 6×1 em audiência com setor produtivo
Companheiro de Motta na bancada do PL no Congresso Nacional, Rodrigo da Zaeli representa o Mato Grosso na Câmara dos Deputados. Mas diverge do colega. Sua posição é contra o fim da escala 6×1.
“Se você ler o projeto na íntegra, do jeito que foi protocolado, não tem nenhum tipo de estudo, nem do autor e nem da base governista. É um projeto simples, de 10 linhas, que não especifica como isso vai acontecer”, criticou o deputado, em entrevista à TMC.
“Quando vamos buscar, com detalhes, dados e números, para saber como vai impactar na realidade do brasileiro, vamos ver que esse projeto é puramente eleitoreiro. Não traz, na verdade, a médio e longo prazo, benefícios para a sociedade. Quando o cidadão acha que vai trabalhar um dia a menos (na semana), na realidade ele vai ter que voltar ao mercado de trabalho, porque todo comércio vai ter que substituir essa mão de obra por uma outra. E vai ter que valorizar e monetizar essa outra mão de obra”, argumentou.
Da Zaeli aponta que a eventual aprovação do projeto no Congresso vai afetar o custo das empresas, o que teria consequência sobre os trabalhadores.
“O projeto não fala de redução de valores financeiros, fala apenas de redução de carga horária. Na prática, vai aumentar o custo do funcionário em todas as empresas, indústrias, no agro. Vai impactar no preço dos produtos e serviços. E novamente vamos ter uma redução do poder de compra dos brasileiros”, afirmou.
“Esses trabalhadores que deixaram de trabalhar um dia, um dia e meio, para ter um tempo com sua família, vai ver o seu dinheiro sendo diminuindo e vai voltar ao mercado de trabalho novamente porque não quer perder seu poder de compra, o conforto que conquistou para a sua família”, complementou. “Não vemos uma vantagem para o Brasil.”
Para o deputado, é necessário melhorar as condições de trabalho para que os trabalhadores possam aumentar sua produtividade atualmente, na escala 6×1.
“Do meu ponto de vista, precisa evoluir as condições de trabalho já existentes, dando mais condições que possam melhorar dentro de suas carreiras. Hoje o Brasil produz muita mão de obra bruta e pouca mão de obra qualificada. “Primeiro, (temos que cuidar) da qualidade do nosso trabalhador, para que possa render mais com o mesmo número de horas trabalhadas, para depois pensar neste segundo passo, que seria a redução da carga horária.”




