Escala 6×1: “Não somos contra reduzir jornada, mas precisamos discutir Custo Brasil”, diz CNI

Presidente Ricardo Alban afirma que produtividade vai cair e afetar a economia nacional

Por Redação TMC | Atualizado em
Ricardo Alban gesticula à frente de um fundo escuro
(Foto: CNI/Divulgação)

A discussão acelerada sobre o fim da escala 6×1 está preocupando a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em entrevista à TMC nesta quarta-feira (8/04), o presidente Ricardo Alban afirmou que a entidade não é contra a redução da jornada de trabalho, mas pediu uma discussão mais ampla, principalmente levando em consideração o chamado Custo Brasil.   

“A discussão passa pelo Custo Brasil e passa por uma realidade, chamada produtividade. A média da produtividade do Brasil hoje é pífia, é uma média de 0,3% ao ano”, declarou Alban.

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“É óbvio que nem podemos dizer que não faz sentido analisar isso, o fim da escala 6×1. Mas isso tem que ser uma conquista, não pode ser uma bravata ou imposição. Hoje, de fato, a jornada real no Brasil, na média, está abaixo das 40 horas semanais, por negociações coletivas ou setoriais”, ponderou.

O presidente da CNI pediu maior responsabilidade dos congressistas na discussão sobre o projeto que pode acabar com a escala 6×1 nos próximos dias. “Não somos contra a redução da jornada de trabalho. Queremos ser responsáveis com mais uma decisão que vai impactar o Brasil daqui para a frente.” 

Alban afirma que a eventual redução da jornada deve impactar negativamente na economia de forma geral. “Quanto a redução de jornada vai custar no preço do seu consumo, dos serviços que você demanda na economia? Isso vai ter impacto. Tudo tem causa e efeito.” 

Perda de produtividade

Na avaliação do presidente da CNI, o fim da escala 6×1 vai afetar diretamente a produtividade da indústria brasileira. “Estamos perdendo produtividade na indústria. Não existem limites e fronteiras territoriais para o comércio de produtos manufaturados. E nós vamos agora agregar um custo enorme, fora o Custo Brasil, se o fim da escala for aprovado.” 

De acordo com estudos feitos pela CNI, o Brasil deve sofrer uma queda de 0,7% do PIB, caso o fim da escala 6×1 seja aprovado. “Imagine agora, com todas as consequências da geopolítica e da guerra do Irã, os efeitos do eventual fim da guerra não são imediatos. Já estamos pressionados neste ano (pela guerra), imagine agora  colocar o fim da escala 6×1.”

Alban alerta para a discussão de um tema tão delicado num ano eleitoral. “O momento eleitoral não vai permitir que muitos congressistas possam avaliar isso de forma realista, responsável. Nós queremos é responsabilidade nas decisões que afetam o futuro deste país.”  

“O setor produtivo não está numa situação de ‘nós contra eles’. O ideal é que essa mudança na escala seja feita de uma forma negocial, como acontece hoje, para que possamos ter uma evolução real. Precisamos planejar. Planejar garante que as conquistas sejam permanentes”, complementou.

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