Suspeita de que ministros do STF estão envolvidos no caso Master é maior entre bolsonaristas

42% dos eleitores de Lula (PT) acreditam na participação de ministros; índice alcança 70% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL)

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Instituto Datafolha divulgou um levantamento sobre a percepção da população brasileira em relação às suspeitas de ligação entre magistrados do Supremo Tribunal Federal e o caso do Banco Master.

Aproximadamente 70% dos entrevistados afirmaram ter ouvido falar das suspeitas relacionando membros da corte ao episódio. Desse grupo que conhece o assunto, 55% acreditam que há participação de ministros no caso. Outros 4% dizem não acreditar na existência de envolvimento dos membros do tribunal. Uma parcela de 10% afirmou não saber se há ou não participação dos magistrados.

Os 30% restantes da população responderam não ter tido nenhum conhecimento sobre o tema. A opinião deste último grupo quanto à existência ou não de ligação dos ministros com o caso não foi questionada. A margem de erro para a amostra total é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Bolsonaristas x Lulistas

A percepção sobre a existência ou não de elos de integrantes da corte com o episódio varia conforme a intenção de voto declarada pelo respondente. Entre aqueles que dizem pretender votar em Lula (PT) na eleição de 2026, 42% acreditam no envolvimento de ministros no caso Master. Esse índice alcança 70% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL). Entre aqueles que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, esse percentual é de 48%.

O desconhecimento sobre as suspeitas é maior entre determinados grupos. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, o percentual de quem não conhece os relatos chega a 48%. O patamar também é mais alto, na casa dos 42%, entre os que têm apenas o ensino fundamental e também entre quem diz que vai votar em branco ou nulo.

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Ministros e o Banco Master

Desde o final de 2025, revelações sobre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, aproximando-os do escândalo do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, têm sido um dos principais combustíveis da crise pública em que a corte se encontra. O episódio tem gerado pressão pela aprovação de um código de ética mais detalhado e aplicável aos membros do tribunal. Há movimentações em defesa de que os ministros sejam investigados.

Documentos da Receita Federal divulgados na semana passada indicam transferências que chegaram a R$ 80,2 milhões em dois anos.

Em entrevista na última semana, Lula relatou ter dito a Moraes para que não deixasse que o “caso do Vorcaro” jogasse fora sua biografia como ministro, destacando sua condução do julgamento do 8 de Janeiro.

Entre os questionamentos ao ministro Alexandre de Moraes estão o contrato do Banco Master com o escritório de sua esposa, Viviane Barci. O escritório admitiu publicamente em março, pela primeira vez, que prestou serviços ao banco. Sobre os valores, se restringiu a dizer que não confirmava “informações incorretas e vazadas ilicitamente”.

Outro motivo de desgaste a Moraes foi a revelação de que ele teria trocado mensagens com Vorcaro, inclusive no dia em que o ex-banqueiro foi preso pela primeira vez. O ministro nega.

Conforme revelou o jornal Folha de S. Paulo, documentos indicam que Moraes e Toffoli também usaram aviões da Prime Aviation.

O ministro Dias Toffoli foi o primeiro relator do caso Master na corte. Ele tomou uma série de decisões controversas nesse período. Só deixou o caso após intenso desgaste. Sua saída se deu de modo bastante atípico, após uma reunião a portas fechadas com seus pares, da qual saiu uma nota declarando apoio ao ministro. Naquela semana, a Polícia Federal tinha encaminhado um relatório ao presidente da corte, Edson Fachin, relatando suspeitas sobre o caso.

Pesam contra Toffoli a indicação de pagamentos feitos à empresa Maridt, que tem o ministro entre os sócios. A empresa vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a um fundo de investimentos usado na engrenagem de fraudes do Master. O magistrado afirma que a transação foi devidamente declarada. Nega ser amigo ou ter recebido dinheiro de Vorcaro.

O ministro Kassio Nunes Marques também foi atingido pelo caso Master. Documentos indicam que ele viajou em um avião da Prime Aviation, empresa que tinha Daniel Vorcaro como um dos sócios, de Brasília para Maceió, em novembro. A viagem foi organizada e paga pela advogada Camilla Ewerton Ramos, de acordo com o próprio ministro. Ela atua para o banco.

O ministro Gilmar Mendes pegou carona em um avião da Prime Aviation, em voo oferecido ao magistrado pelo maior acionista da MBRF, Marcos Molina. O ministro afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que não sabia das relações de Vorcaro com a Prime Aviation.

Os termos do acordo de delação de Vorcaro estão sendo negociados em conjunto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal. Em etapas iniciais, advogados que representavam o ex-banqueiro chegaram a sugerir aos investigadores que não fossem mencionados ministros do Supremo. A ideia teria sido rechaçada, dado que não se poderia dar ao delator a prerrogativa de selecionar quem seria acusado ou poupado.

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