O Instituto Datafolha divulgou levantamento mostrando que 75% dos brasileiros avaliam que os ministros do Supremo Tribunal Federal detêm poder em excesso. Em paralelo, 71% dos entrevistados afirmam que o tribunal é fundamental para a proteção da democracia brasileira.
O levantamento aponta ainda que três em cada quatro entrevistados afirmam que a população acredita menos no STF atualmente do que no passado. O Datafolha realizou essas perguntas pela primeira vez. Não há dados comparativos de períodos anteriores.
Diferenças entre eleitores
Entre os eleitores que declararam voto em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, 88% afirmam que o Supremo concentra poder demais. Entre os eleitores de Lula (PT), o percentual é de 64%.
A percepção se inverte na questão sobre a importância do tribunal para a democracia. Entre os eleitores do petista, 84% concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil. Entre os eleitores de Bolsonaro, esse percentual fica em 60%.
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Os eleitores que votaram branco, nulo ou em nenhum candidato apresentam índices intermediários. Desse grupo, 67% afirmam que os ministros têm poder em excesso. Já 73% dizem que o tribunal é importante para a democracia.
O Supremo passa por uma crise de dimensão inédita. O tribunal foi arrastado ao centro do debate público desde o julgamento do mensalão e agora enfrenta mais uma turbulência com citações de ministros envolvendo o caso do Banco Master. A corte não saiu mais dos holofotes diante do constante acúmulo de casos de grande repercussão sobre a cena política do país.
As suspeitas sobre envolvimento de parte dos ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master ampliaram a pressão e o desgaste sobre o tribunal recentemente.
Na lista dos casos decididos pela corte envolvendo políticos de relevo estiveram a Lava Jato, o rito do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a anulação da condenação do ex-presidente Lula e a pandemia da Covid-19. Também estão incluídos os casos do 8 de janeiro e da trama golpista.
A aprovação de um código de ética tem sido uma das cobranças de parte da sociedade civil e do empresariado em relação à corte. A medida é defendida pelo próprio presidente do STF, Edson Fachin.
Juristas de peso defendem uma série de reformas no tribunal. As propostas incluem regras mais estritas sobre decisões monocráticas. Um dos discursos é o de que se a corte não agir por conta própria para adequar seu funcionamento, a reforma poderá vir de fora.
Apesar de ter empreendido uma série de medidas heterodoxas nos últimos anos, como o controverso inquérito das fake news, a atuação do Supremo teve apoio de parcela da opinião pública frente às investidas autoritárias de Bolsonaro.
O estudo do Datafolha foi realizado entre os dias 7 e 9 de abril. Foram ouvidas 2.004 pessoas em 137 municípios do país. A margem de erro para a amostra total é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.




