A família do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu em peso e subiu o tom contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que endureceu as condições de sua prisão domiciliar.
A nova determinação suspendeu todas as visitas ao ex-presidente pelo período de 30 até 90 dias, com exceção de profissionais de saúde e advogados, além de proibir encontros de natureza político-eleitoral até o fim do pleito de 2026.
No caso do senador Flávio Bolsonaro, o gancho foi ainda maior: ele ficou impedido de ver o pai por 90 dias.
A reação dos filhos foi imediata e coordenada nas plataformas digitais. Em transmissão ao vivo, Flávio Bolsonaro acusou a medida de ter motivações políticas para isolar o ex-presidente no ano eleitoral.
“O que o Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar o meu pai incomunicável”, protestou o parlamentar, que também protocolou uma representação junto ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a restrição de suas visitas.
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No X (antigo Twitter), os outros filhos políticos do ex-presidente também manifestaram forte indignação.
O vereador Carlos Bolsonaro criticou a celeridade do despacho do ministro. “Pelo que tive ciência, Alexandre proibiu, em questão de segundos após a PGR, visitas de TODOS os FILHOS ao PAI. Eu creio, tenho fé e força…”, publicou. Na mesma rede, o deputado federal Eduardo Bolsonaro adotou um tom ainda mais duro ao classificar a situação: “Meu pai não está numa prisão domiciliar, meu pai está num cativeiro”.
Pelo Instagram, Renan Bolsonaro também se manifestou e traçou um paralelo com o passado recente da política brasileira para criticar o Judiciário.
“Meu pai está preso injustamente e agora proibiram até que os próprios filhos o visitem. Trinta dias sem poder ver o meu pai, meu irmão Flávio, noventa. Lula, quando esteve preso, recebia político, artista, sindicalista, e ainda foi lançado candidato a presidente de dentro da cadeia. Meu pai não pode receber um abraço de um filho dentro da própria casa. É a mesma Justiça, mas a régua muda conforme o sobrenome. Pai, estarei sempre com o senhor”, desabafou.
O endurecimento do regime ocorreu após o descumprimento de medidas cautelares anteriores. Segundo a decisão do STF, Bolsonaro assinou uma carta que foi lida publicamente por Flávio em suas redes sociais, o que o ministro entendeu como uma violação direta das restrições impostas.
Moraes rebate argumentos da família
O ministro Alexandre de Moraes rejeitou categoricamente os protestos da família Bolsonaro sobre um suposto isolamento do ex-presidente. Em seu despacho, o magistrado classificou a alegação de incomunicabilidade como “patética” e “desprovida de fundamento”.
Para embasar a decisão, Moraes apresentou dados do período de custódia: desde o início da prisão domiciliar humanitária, em março, Bolsonaro recebeu 185 visitas, além de 64 comparecimentos de advogados e 70 atendimentos de médicos particulares. O ministro ressaltou ainda que o ex-presidente conta com uma equipe de 30 advogados e continua residindo com a esposa, uma filha e uma enteada, mantendo o direito a atendimentos médicos e assistência jurídica integral mesmo durante a vigência da suspensão de 30 dias.




