O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a rejeição do relatório final da CPI do Crime Organizado resultou de articulação política do governo federal. O documento foi rejeitado por seis votos a quatro nesta terça-feira (14/04). O relator da comissão declarou em coletiva de imprensa que a manobra teve como objetivo proteger ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A base governista modificou a composição do colegiado antes da votação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou ofício ao presidente da CPI determinando seis alterações na formação da comissão.
Com as alterações, a comissão passou a contar com mais parlamentares do PT. O presidente da própria CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), posicionou-se contra o relatório de Vieira.
“Tivemos uma interferência direta com a troca de integrantes”, disse Vieira. “O governo escolheu atravessar a rua e dar um abraço no STF.”
O relator sustentou que a “derrubada do relatório reflete um atraso da mentalidade dos senadores”. Vieira comparou a estratégia utilizada para derrubar o relatório com a empregada na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social. Ambas foram baseadas na articulação da base do governo Lula no Senado. No caso da CPI do Crime Organizado, o presidente do Senado atuou diretamente na rejeição do texto ao determinar as mudanças na composição da comissão.
A votação e a rejeição do relatório ocorreram no Senado Federal, em Brasília. As mudanças na composição da CPI foram determinadas pouco antes do início da votação.
Alessandro Vieira afirmou que a responsabilização de ministros do STF é uma pauta “que pode ser adiada, mas não evitada”. “O Brasil um dia vai ter maturidade institucional para entender que ninguém está acima da lei, nem mesmo o Supremo”, afirmou o relator da CPI do Crime Organizado. “Ainda não vou apresentar as denúncias contra os ministros. Vou observar os desdobramentos das investigações que, com certeza, apontaram para indícios contrários a atuação deles.”
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