Alexandre Ramagem (PL-RJ) deixou um centro de detenção nos Estados Unidos nesta quarta-feira (15/04). O ex-deputado federal havia sido detido na segunda-feira (13/04), em Orlando, na Flórida, por questões migratórias e foi liberado às 14h52 pelo horário local (15h52 em Brasília).
A Polícia Federal informou que Ramagem foi encaminhado ao centro de detenção em Orange County após a prisão. Ele permaneceu em uma cela separada. Nesta quarta-feira, o nome dele já não constava na lista de detidos do centro nem no sistema do Serviço de Imigração dos EUA (ICE).
A PF declarou que aguarda informações adicionais sobre a soltura. Não foram divulgados detalhes sobre as circunstâncias da liberação. O caso envolve um pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro às autoridades norte-americanas.
Ramagem deixou o território brasileiro em 2025 após condenação do Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é apontado como integrante do núcleo central da trama que visava manter Jair Bolsonaro (PL) no poder. A saída do país aconteceu de forma clandestina antes da conclusão do julgamento.
Investigações da Polícia Federal divulgadas pelo g1 indicam que ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana. Posteriormente, seguiu para os Estados Unidos. Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça comunicou ao STF o encaminhamento do pedido de extradição ao governo norte-americano.
A Embaixada do Brasil em Washington enviou a documentação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro de 2025. Pessoas próximas a Ramagem afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos. O ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome do ex-deputado na lista da Interpol. A medida possibilitou a detenção por autoridades estrangeiras.
Cassação e bloqueios
A Câmara dos Deputados cassou o mandato de Ramagem em 18 de dezembro. A Mesa Diretora aprovou a cassação após a condenação na trama golpista. A Câmara também cancelou o passaporte diplomático do ex-parlamentar.
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O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio dos vencimentos parlamentares. As medidas visam impedir que Ramagem utilize prerrogativas parlamentares enquanto responde aos processos.
Ramagem ingressou na Polícia Federal em 2005. Ganhou projeção nacional ao assumir a chefia da segurança de Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha de 2018. A atuação nesse episódio aproximou Ramagem da família Bolsonaro.
Ele foi nomeado para chefiar a Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro. A gestão dele na Abin é alvo de investigações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos, no caso conhecido como “Abin Paralela”. As investigações apuram possíveis desvios de finalidade na utilização dos recursos de inteligência.
Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo Diretor-Geral da Polícia Federal. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação devido à proximidade pessoal de Ramagem com a família do presidente. A decisão impediu que ele assumisse o comando da instituição naquele momento.
Ramagem foi eleito deputado federal pelo PL-RJ em 2022 com cerca de 59 mil votos. A Mesa Diretora da Câmara cassou o mandato em dezembro do ano passado. A cassação encerrou sua atuação parlamentar antes do término regular do mandato.
Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro. Terminou a eleição em segundo lugar. A candidatura ocorreu antes da condenação pelo STF e da cassação do mandato parlamentar.




