Prisões envolvendo grandes figuras do Caso Master, como aconteceu nesta quinta-feira (16/04) com a detenção do ex-presidente do BRB, do Paulo Henrique Costa, não afetam diretamente o sistema financeiro brasileiro, na avaliação de Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, em entrevista à TMC.
“Isso nos traz, sim, um certo receio em relação ao sistema financeiro. Não que isso afete o sistema de uma forma geral. Ou que possa impactar outros bancos, já que o Banco Central tem corrido muito atrás para tentar sanar essa situação”, afirmou o especialista, nesta quinta-feira (16/04).
“Todos os outros bancos ligados ao Master, como o Will Bank e o fundo Reag, por exemplo, já foram liquidados. E agora é tentar ao máximo fazer um pente fino em todos os outros produtos que existem (conexão com o Master). Mas acredito que não afetará o mercado financeiro”, declarou.
A investigação, que resultou na prisão de Costa, tem relação direta com a compra de créditos fictícios, vendidos pelo Master e comprados pelo BRB. Para Uarian, houve falhas nas questões de governança e compliance em relação ao comando do Master, cujo proprietário era Daniel Vorcaro.
“Quando você cria produtos em relação ao mercado financeiro, ele precisa passar por uma série de check list. E, com certeza, o próprio Costa e o Vorcaro não seguiram as práticas de governança e compliance. Ele provavelmente burlou os controles internos de aprovação dos negócios. As compras de vários créditos, chamados de créditos podres, de difícil recuperação, provavelmente nem passaram por práticas de governança.”
Essa operação, na avaliação do analista-chefe da Cultura Capital, não foi resultado de uma falha do sistema financeiro. “O Banco Master não era um banco, era uma fintech. Isso fez com que alguns pontos de governança não fossem tão fiscalizados”, comentou.
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