A Polícia Civil de São Paulo indiciou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e o líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho por suspeita de envolvimento em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Outras cinco pessoas também foram indiciadas no âmbito da Operação Vérnix, deflagrada em 21/05 pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o indiciamento ocorreu após a conclusão da primeira etapa de análise do material apreendido durante a operação. O relatório complementar do inquérito foi encaminhado à Justiça nesta sexta-feira (29/05).
De acordo com as investigações, o grupo teria mantido ativa uma estrutura voltada à ocultação e dissimulação de patrimônio e recursos financeiros, por meio de empresas de fachada, movimentações patrimoniais e uso de bens de alto valor.
A investigação começou em 2019, dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, após a apreensão de bilhetes e manuscritos atribuídos ao PCC. Os documentos apontavam supostas práticas de lavagem de dinheiro coordenadas pela facção criminosa.
Segundo o relatório da Polícia Civil, Deolane passou a ocupar posição central nas apurações devido a movimentações financeiras consideradas incompatíveis com o patrimônio declarado, além de supostos vínculos pessoais e negociais com integrantes do núcleo investigado. Os investigadores afirmam que empresas e bens teriam sido usados para dar aparência de legalidade aos recursos.
Durante as buscas realizadas na residência da influenciadora, em Barueri, foram apreendidos quatro veículos de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz AMG G63, uma Cadillac Escalade e uma Range Rover, todos registrados em nome de pessoas jurídicas. Também foram recolhidos R$ 51,4 mil em espécie, 1.550 euros, 19 relógios, 40 joias, celulares, notebooks e documentos empresariais.
Os investigadores afirmam que os bens apreendidos indicam a existência de uma estrutura patrimonial de alto padrão compatível com estratégias de lavagem de capitais. Um dos documentos encontrados, descrito como “cronograma estratégico e estruturação corporativa”, apontaria um plano de reorganização societária de empresas ligadas ao chamado “Grupo Deolane”.
A polícia também destaca uma ligação entre Deolane e o investigado Everton de Souza. Em um imóvel vinculado a Everton, foram encontrados R$ 7,8 mil em dinheiro dentro de uma caixa com a inscrição “Dra. Deolane”, além de uma máquina de contar cédulas e elásticos usados para separar dinheiro.
Segundo o relatório, o conjunto de elementos “fortalece a hipótese” de que os investigados mantinham vínculos relacionados à guarda e movimentação de patrimônio supostamente ilícito. A polícia afirma ainda que o grupo estaria promovendo a reestruturação de empresas utilizadas para ocultar recursos financeiros.
As investigações também apontam o uso de empresas registradas em endereços residenciais sem atividade comercial identificada. Em um dos trechos do relatório, a Polícia Civil afirma que alterações recentes em empresas ligadas a Deolane indicariam a continuidade das práticas investigadas até 2026.
Além do indiciamento, os investigadores solicitaram à Justiça a ampliação do bloqueio de bens, o sequestro de veículos e a custódia judicial de joias e relógios apreendidos. Também foi pedido o compartilhamento das informações com a Polícia Federal após a identificação de indícios de possíveis crimes tributários.
A defesa de Marcola afirmou anteriormente que o chefe do PCC desconhece Deolane. Já a defesa da influenciadora sustenta que ela tem “absoluta inocência” e nega qualquer participação em crimes investigados.




