Operação desarticula esquema milionário de “lavagem de medicamentos” para câncer no DF

Organização criminosa desviava remédios de alto custo e colocava pacientes em risco; prejuízo pode ultrapassar R$ 22 milhões

Por Henrique Carmo | Atualizado em
Foto: Divulgação PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (17), a Operação Alto Custo, que mira uma organização criminosa especializada no furto, roubo e revenda ilegal de medicamentos de alto valor, utilizados principalmente no tratamento de câncer, doenças autoimunes e em pacientes transplantados.

Ao todo, cinco pessoas foram presas e a polícia cumpriu 12 mandados de busca e apreensão. As investigações, que duraram cerca de um ano, revelaram um esquema sofisticado de “lavagem de medicamentos”, no qual os produtos desviados eram reinseridos no mercado por meio de empresas de fachada e notas fiscais fraudulentas.

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De acordo com a PCDF, o grupo atuava com a cooptação de funcionários de distribuidoras farmacêuticas, que retiravam os medicamentos do estoque e os escondiam em caixas destinadas ao descarte. Em seguida, os itens eram levados até áreas de expedição e entregues a terceiros, que faziam a redistribuição ilegal.

Uma das ações mais relevantes ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, onde foram apreendidas 493 caixas do medicamento Upadacitinibe, avaliadas em cerca de R$ 4 milhões. A carga havia sido roubada no fim de março, no município de Niterói, no Rio de Janeiro.

Divulgação PCDF

As investigações apontam que o núcleo central da organização está sediado em Goiânia, com ramificações no Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Somente em um ano, o grupo teria movimentado mais de R$ 22 milhões por meio de notas fiscais frias.

Entre os medicamentos desviados estão remédios de altíssimo custo, como Venclexta, Libtayo, Imbruvica, Tagrisso e Reblozil, alguns avaliados em até R$ 40 mil por unidade. Em apenas uma das distribuidoras afetadas, o prejuízo chega a aproximadamente R$ 6 milhões.

Além dos crimes patrimoniais, a polícia alerta para o grave risco à saúde pública. Muitos dos medicamentos eram transportados sem a refrigeração adequada, o que pode comprometer sua eficácia ou até torná-los tóxicos.

Os investigados podem responder por furto qualificado, receptação, falsificação de produtos medicinais e organização criminosa. A operação contou com apoio da Polícia Civil de Goiás, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Vigilância Sanitária de Goiânia.

Segundo a polícia, as investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar o alcance do esquema.

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