Gustavo Henrique Lara, aluno de uma escola de aviação no Paraná, morreu após sofrer uma reação anafilática durante o chamado “banho de óleo”, ritual de batismo aplicado a estudantes de pilotagem. O caso ocorreu na noite desta quinta-feira (16/07), segundo a Polícia Civil.
Conforme informado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Gustavo sofreu três paradas cardiorrespiratórias ao longo do atendimento. Enquanto as duas primeiras foram revertidas com sucesso, a terceira resultou em sua morte no hospital.
O instrutor que aplicou o óleo no aluno foi detido em flagrante pela Polícia Civil, sob suspeita de homicídio culposo, sendo posteriormente liberado mediante pagamento de fiança. As autoridades investigam a composição do produto utilizado, o volume aplicado e a possível relação desses fatores com o óbito.
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O que é o banho de óleo
A prática consiste em cobrir o corpo do aluno com óleo de motor de aeronave após uma conquista na formação. Andrea Bon, ex-comissária de bordo e proprietária da escola TO FLY, explicou ao g1 como funciona a tradição.
“Geralmente acontece quando a pessoa alcança algo novo na carreira. No caso dos pilotos, é comum após o primeiro voo solo ou quando mudam de categoria, como a passagem de piloto privado para piloto comercial. Entre os mecânicos também existe essa tradição”, afirmou Bon.
Ela afirmou que a prática existe em países como Colômbia e Estados Unidos, além de ainda ocorrer, de maneira mais discreta, em alguns aeroclubes e escolas de aviação do Brasil. Sobre sua própria trajetória, Bon declarou: “Entrei na TAM, atual LATAM, em 2005. Por ser uma empresa grande e consolidada, essa prática já não acontecia. Mas, conversando com pessoas de aeroclubes e escolas de aviação, sabemos que ela ainda existe em alguns lugares.”
“Atualmente, essa prática tem sido bastante condenada pelas autoridades aeronáuticas”, disse Bon. Ela alertou que os óleos usados em motores contêm componentes químicos capazes de causar dermatites, reações alérgicas e outros problemas de saúde.
Riscos do produto
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) emitiu alerta informando que “produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, entrar em contato com a pele, conforme orientam os próprios rótulos desses materiais”.
A especialista em dermatologia Rafaela Salvato, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esclareceu ao g1 que a anafilaxia pode se manifestar mesmo em indivíduos sem histórico prévio de alergias. A médica acrescentou ainda que a intensidade da reação independe do volume de produto a que a pessoa foi exposta.
Salvato reforçou o ponto: “O óleo de motor aeronáutico é um produto industrial, formulado para suportar temperatura e atrito dentro de uma máquina, não para tocar tecido vivo.”
Ritual fora da escola
O CIAC (Centro de Instrução de Aviação Civil), ligado ao Aeroclube de Ponta Grossa, declarou que o ritual não foi realizado em suas instalações. A Polícia Civil mantém as investigações em andamento.




