França adota tom cauteloso sobre acordo Mercosul-UE

Apesar dos avanços diplomáticos e da conclusão política das negociações, a França mantém reservas e pressiona por salvaguardas ambientais e proteção ao setor agrícola antes da ratificação do tratado

Por Redação TMC | Atualizado em
Dois homens de terno escuro estão de mãos dadas e caminhando em uma área externa elegante, com plantas e paredes de pedra clara ao fundo. O homem à esquerda gesticula com o braço estendido, apontando algo à frente, enquanto o homem à direita olha na mesma direção com expressão atenta. Ambos parecem estar em um ambiente formal e amistoso.
Em julho, Lula se encontrou com o presidente da França, Emmanuel Macron, para ampliar as discussões bilaterais, como o acordo da UE com o Mercosul (Foto: RIcardo Stucker/Agência Brasil)

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse nesta quarta-feira (23/10) que era muito cedo para expressar uma opinião firme da França sobre o planejado acordo comercial entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), mas que as medidas estavam sendo tomadas “na direção certa”.

A França, que tem sido um oponente veemente do acordo, foi encorajada por uma cláusula de salvaguarda proposta e por um melhor controle sobre os produtos alimentícios que entram na União Europeia, mas ainda aguarda a finalização do trabalho.

“Hoje, o governo francês, assim como os outros, está aguardando as respostas. Mas tudo isso está indo na direção certa para proteger os setores mais expostos e também para proteger os consumidores europeus”, afirmou Macron em coletiva após uma cúpula da UE em Bruxelas.

Qual o status do acordo entre União Europeia e Mercosul?

O comentário do presidente francês ocorre em meio a um novo capítulo nas longas negociações entre União Europeia e Mercosul. Em dezembro de 2024, a Comissão Europeia e os países do bloco sul-americano anunciaram a conclusão política das negociações do acordo, após cerca de 25 anos de tratativas.

A medida foi celebrada por governos e setores empresariais dos dois lados, mas encontrou forte resistência dentro da própria União Europeia, especialmente na França, onde agricultores e ambientalistas expressaram preocupação com o impacto sobre o setor agropecuário e sobre os padrões de sustentabilidade exigidos pelo Pacto Verde Europeu.

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Em fevereiro de 2025, Macron reiterou que a França tentaria bloquear o acordo em sua forma atual, citando preocupações com pesticidas, rastreabilidade e compromissos climáticos. Ainda assim, a Comissão Europeia avançou institucionalmente: em setembro de 2025, encaminhou ao Conselho as propostas de decisão para assinatura e conclusão do Acordo de Parceria UE–Mercosul (EMPA) e de um Acordo Comercial Interino que entraria em vigor até a ratificação definitiva.

Apesar desses avanços, o Parlamento Europeu manteve uma postura cautelosa. Em outubro de 2025, o deputados da UE rejeitaram incluir um parágrafo de apoio ao acordo em uma resolução ampla, sinalizando que a resistência política ainda é significativa.

Assim, embora o processo técnico e diplomático tenha avançado, com a conclusão política e os preparativos para a assinatura formal, o futuro do acordo segue incerto.

Por Renan Honorato, com informações da Reuters

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