O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29/05) que ficou “muito triste” com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A declaração foi feita durante um evento da Petrobras em Sergipe, em reação à fala do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, aliado do presidente Donald Trump.
“Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos Estados Unidos da América do Norte, um tal de Marco Rubio, disse que os nossos criminosos são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, declarou Lula durante o discurso.
Apesar da crítica ao posicionamento dos EUA, o presidente reconheceu a gravidade das ações das facções criminosas no Brasil e afirmou que PCC e CV promovem terror nas comunidades brasileiras.
“Esse tal de Comando Vermelho e esse tal de PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país”, afirmou.
Lula ainda disse que as organizações criminosas “incomodam famílias, bairros e cidades”, além de roubarem e espalharem violência pelo país. “São terroristas e nós vamos combatê-los aqui dentro”, completou o presidente.
Na sequência, o petista diferenciou a definição de terrorismo adotada pelos Estados Unidos do entendimento brasileiro sobre o tema. “Não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer o Osama bin Laden”, disse Lula ao citar o ex-líder da Al-Qaeda, morto em 2011.
A fala acontece após o governo dos Estados Unidos anunciar oficialmente a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida, anunciada por Marco Rubio, prevê sanções financeiras, restrições internacionais e punições para pessoas ou empresas que mantenham relações com as facções.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro demonstram preocupação com os impactos diplomáticos e políticos da decisão americana, principalmente diante de interpretações sobre eventual interferência externa em ações de segurança pública no Brasil.
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