ANP muda regimento interno e concentra poderes no diretor-geral

Colegiado aprova alterações por 3 votos a 2 que extinguem diretor de referência e transferem atribuições administrativas exclusivas para Artur Watt

Por Redação TMC | Atualizado em
Letreiro da ANP
(Foto: Saulo Cruz/MME)

O colegiado da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) aprovou modificações no regimento interno da agência reguladora. A votação ocorreu nesta sexta-feira (24/04) e terminou com três votos favoráveis e dois contrários. As alterações transferem atribuições administrativas para o diretor-geral e extinguem a figura do diretor de referência.

O diretor-geral Artur Watt apresentou as modificações e recebeu apoio dos diretores Fernando Moura e Daniel Maia. Pietro Mendes e Symone Araújo votaram contra as mudanças.

Siga o canal da TMC no WhatsApp e receba as últimas notícias

As modificações extinguem o diretor de referência, membro do colegiado previamente designado para conduzir temas específicos. A competência exclusiva para designar cargos comissionados e autorizar viagens passa para o diretor-geral.

O novo regimento estabelece que apenas o diretor-geral poderá incluir na pauta futuras modificações no regimento da agência.

As sessões administrativas deixarão de ser transmitidas publicamente. Nessas sessões são votadas alterações no próprio regimento, entre outros assuntos. A deliberação desses processos passará a ocorrer de forma sigilosa.

Artur Watt justificou as alterações como necessárias para estabelecer na figura do diretor-geral “algumas competências outorgadas pela lei das agências reguladoras”. Segundo ele, “a lei atribui muitos poderes ao colegiado, mas atribui também alguns poderes ao diretor-geral”.

O diretor-geral argumentou que as mudanças criam “um modelo de freio e contrapesos”. Ele ponderou que o diretor-geral é minoria no colegiado e “não conseguirá aprovar sozinho nenhum tipo de mudança relevante, mesmo de cunho administrativo”.

Críticas às mudanças

Pietro Mendes criticou o momento escolhido para as mudanças. O diretor destacou que a ANP tem recebido atribuições novas em decorrência das medidas do governo para amenizar os impactos da guerra no Oriente Médio no setor de combustíveis.

Mendes apontou que a extinção do diretor de referência e a concentração de medidas administrativas no diretor-geral “fragiliza o princípio da colegialidade” e “pode enfraquecer a governança interna”. A mudança limita a atuação dos demais diretores.

Leia mais: Governo causa confusão em anúncio sobre corte de impostos sobre gasolina

Symone Araújo concordou que o momento é inoportuno para esse debate, que “dispersa tempo e energia”. A diretora destacou a ausência, na proposta, de cronograma e período de transição para as mudanças na governança da ANP.

O colegiado da ANP é composto por cinco diretores. Não há informações sobre quando as mudanças entrarão em vigor ou se haverá período de transição para implementação das novas regras de governança.

Ao vivo
São Paulo
Ouça a TMC pelo Brasil
  • 100,1FM São Paulo
  • 101,3FM Rio de Janeiro
  • 100,3FM Curitiba
  • 88,7FM Belo Horizonte
  • 92,7FM Recife
  • 100,1FM Brasília
Notícias que importam para você
Copyright © 2026 CNPJ: 44.060.192/0001-05