O impacto das chamadas canetas emagrecedoras começou a chegar às mesas dos bares e restaurantes. O que antes era associado à fartura agora dá lugar a um novo cenário: porções menores, pratos compartilhados e uma relação mais controlada com a comida.
Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, essa transformação já é perceptível.
“O que a gente observou de grandes mudanças foi os consumidores querendo comer menos e evitar desperdícios, começando a dividir os pratos. E a sobremesa, que sumiu no individual, passou a ser um prato coletivo. Muitas colheres para a mesa inteira ser atendida”, diz.
Esse novo comportamento tem levado bares e restaurantes a reverem parte da operação. Cardápios mais leves, ingredientes menos gordurosos e porções mais equilibradas começam a ganhar espaço para atender clientes que buscam comer menos.
Essa adaptação já é parte da rotina do restaurante Lelui Bar e Cozinha, como explica o restaurateur, Vitor Necco.
“Muito por conta das canetas emagrecedoras. Então, aqui no Lelui, a gente está trazendo opções mais leves, trabalhando com mais legumes, proteínas menos gordurosas, molhos mais equilibrados e até mesmo evitando frituras na preparação”, afirma.
O comportamento tem explicação: os medicamentos atuam diretamente na sensação de saciedade, reduzindo a fome e até o impulso por excessos. Quem usa relata mudanças significativas. Como é o caso de Ezeleide Vital.
“Ela funciona e pode estar revolucionando sim o mercado de alimentos, porque restaurantes, esses lugares que as pessoas gostam de ir só para comer… e você pensa em emagrecer, você não tem vontade”, relata.
A tendência, segundo o setor, deve se intensificar nos próximos meses. Com a popularização dos medicamentos e a promessa de preços mais acessíveis, o novo padrão de consumo tende a se espalhar para outros perfis de público.
“O produto cairá de preço muito fortemente nos próximos dias e a gente vai encontrar, esse ano, mudança de hábito crescendo para a classe B, C e D. O setor vai ter que trabalhar com porções menores, incentivar a divisão de pratos e fazer combos que ajustem ao bolso e ao desejo do consumidor”, avalia Solmucci.
Para os restaurantes, o desafio agora é se adaptar. Menos quantidade, mais estratégia e uma nova lógica de consumo que, aos poucos, pode redesenhar a forma como o brasileiro se relaciona com a comida fora de casa.




