A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (24/04) quando o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria apenas nesta sexta-feira para manter a prisão preventiva, consolidando a decisão no âmbito judicial.
A medida ocorre no contexto de uma investigação que apura um esquema financeiro considerado atípico, que movimentou ao menos R$ 12,2 bilhões em operações envolvendo o BRB e o Banco Master.
Operação bilionária sob suspeita
Segundo a investigação, o BRB realizou transações com o Banco Master em um momento em que a instituição privada passava por análise do Banco Central, que avaliava uma possível venda do banco.
A apuração indica que essas operações teriam servido para manter o funcionamento do Master, levantando suspeitas de tentativa de contornar a fiscalização do órgão regulador. Entre os principais suspeitos estão Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Lopes Monteiro que são investigados por venda de carteiras de crédito fictícias do Banco Master.
O ponto central envolve a compra e revenda de carteiras de crédito. De acordo com o Ministério Público Federal:
- O Banco Master adquiriu carteiras de crédito sem efetuar pagamento a uma empresa ligada a um ex-funcionário;
- Em seguida, revendeu esses mesmos ativos ao BRB, com recebimento imediato;
- O movimento resultou na transferência de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e maio de 2025.
Imóveis de luxo entram na investigação
Além das operações financeiras, a Polícia Federal apura o suposto pagamento de propina ao ex-presidente do BRB por meio de imóveis de alto padrão.
As investigações indicam que Paulo Henrique Costa pode ter recebido bens avaliados em cerca de R$ 140 milhões, ligados ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. De acordo com os investigadores:
- Os valores teriam sido repassados por meio de seis imóveis de luxo, em São Paulo e Brasília;
- A estrutura envolveria empresas de fachada para ocultar a real propriedade dos bens;
- O modelo seria parte de um esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas.
A suspeita reforça a linha investigativa de que as operações entre os bancos não tinham apenas motivação financeira, mas também envolviam contrapartidas ilegais.
Inconsistências e alerta do Banco Central
O Banco Central iniciou uma fiscalização mais rigorosa após identificar inconsistências nas informações prestadas. Ao analisar uma amostra de contratos:
- Não foi possível comprovar a existência real das operações de crédito;
- Houve dificuldade em relacionar os dados apresentados com o fluxo financeiro;
- Novas amostras entregues pelo BRB também apresentaram irregularidades e inconsistências.
Esses elementos reforçaram, segundo os investigadores, indícios de que as operações poderiam não ter lastro real.
Suspeita de engenharia financeira e lavagem de dinheiro
A Polícia Federal e o MPF apontam que o caso pode envolver:
- “Engenharia contábil e financeira” para captação de recursos;
- Tentativa de “abafar” a fiscalização do Banco Central;
- Indícios de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Os investigadores classificam a operação como realizada por “pura camaradagem”, sugerindo favorecimento entre as instituições envolvidas.
Empresa de fachada e documentos tardios
Outro ponto crítico da investigação envolve a empresa Tirreno, que aparece como intermediária nas operações. Segundo a PF:
- A empresa foi criada pouco antes das transações e ampliou rapidamente seu capital;
- Passou a ter ligação com ex-integrantes do Banco Master;
- Documentos essenciais das operações só foram formalizados meses depois, alguns sequer autenticados em cartório.
Para os investigadores, esse padrão é incompatível com operações de alto valor, que exigiriam controles rigorosos desde o início.
Valores acima do limite legal
As transações entre BRB e Banco Master não se limitaram aos R$ 12,2 bilhões inicialmente identificados.
- Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o volume total chegou a R$ 16,7 bilhões;
- O montante ultrapassa o limite legal de exposição a um único cliente, estimado em cerca de R$ 1,1 bilhão.
Tentativa de compra barrada
Em março de 2026, o BRB chegou a apresentar uma proposta para adquirir o Banco Master, mas a operação foi vetada pelo Banco Central.
Após questionamentos do órgão regulador, houve mudanças na estrutura das operações, incluindo transferência de titularidade de ativos e substituição de carteiras, o que aumentou as suspeitas.
Prisão e posição da defesa
Paulo Henrique Costa foi preso preventivamente no dia 16 de abril, durante operação da Polícia Federal que também cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
A defesa nega qualquer irregularidade e contesta as acusações.
Enquanto isso, com a maioria formada no STF para manter a prisão, o caso entra em uma nova fase, com a investigação avançando sobre um suposto esquema de grande escala no sistema financeiro.
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