Prisão do ex-presidente do BRB: como funcionava o esquema investigado pela PF

PF descreve estrutura com empresas de fachada e ativos suspeitos que somam bilhões

Por Redação TMC | Atualizado em
Paulo Henrique Costa
(Foto: Rafael Lavenère/BRB)

A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em 16/04, ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraude financeira e lavagem de dinheiro envolvendo o banco público e o Banco Master. As apurações da Polícia Federal indicam uma estrutura complexa de favorecimento e ocultação patrimonial.

No centro do caso está a suspeita de que vantagens indevidas teriam sido pagas por meio de imóveis de luxo, e não em dinheiro direto. Segundo os investigadores, Costa teria negociado cerca de R$ 146,5 milhões em propina, materializada na entrega de seis apartamentos — quatro em São Paulo e dois em Brasília.

Em troca, o então presidente do BRB teria atuado para favorecer interesses do Banco Master dentro da instituição, influenciando decisões e subordinados. A principal contrapartida seria a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do banco privado.

As investigações apontam que parte dessas carteiras poderia ser fraudulenta ou até inexistente, dentro de uma estrutura que movimentou valores estimados em R$ 12,2 bilhões sob suspeita. O objetivo, segundo a Polícia Federal, era criar e negociar ativos fictícios, gerando ganhos indevidos.

Para ocultar o patrimônio, o esquema utilizaria empresas de fachada e intermediários. O advogado Daniel Monteiro, também preso, é apontado como responsável por estruturar essa rede, atuando na circulação e dissimulação da propriedade dos imóveis.

Outro elemento relevante são registros e mensagens mantidos pelo ex-presidente do BRB, incluindo conversas de WhatsApp e documentos que ele chamava de “livro”. Esse material, apreendido após a prisão, foi usado pela PF para indicar tratativas fora dos canais oficiais e uma relação considerada excessivamente próxima entre os envolvidos.

Como começou a investigação

A apuração que levou à prisão ganhou força a partir de alertas de inteligência financeira e questionamentos internos sobre operações do banco.

O ponto de partida foram relatórios do Coaf, que identificaram movimentações atípicas e incompatíveis com a renda declarada de pessoas ligadas ao topo do BRB e de advogados próximos à instituição. O fluxo de recursos por empresas recém-criadas levantou suspeitas de lavagem de dinheiro.

Paralelamente, auditorias e órgãos de controle passaram a questionar a compra de carteiras de crédito pelo banco. Segundo as análises, o BRB assumia riscos considerados incompatíveis com sua estrutura, adquirindo ativos com baixa perspectiva de recuperação, o que indicava possível gestão direcionada para favorecer terceiros.

Também houve pressão interna. Técnicos e servidores do banco registraram dúvidas sobre a falta de critérios rigorosos e a rapidez na aprovação de operações, documentos que foram posteriormente usados pela Polícia Federal para entender o funcionamento do esquema.

Com esses indícios, foi deflagrada a Operação Compliance Zero, conduzida pela PF e pelo Ministério Público. O avanço decisivo ocorreu após a quebra de sigilo bancário e telemático dos investigados.

A partir daí, investigadores tiveram acesso a mensagens e registros detalhados, incluindo um conjunto de anotações mantido por Costa — descrito como um “diário” com encontros, datas e valores — que acabou se tornando uma das principais provas do caso.

STF mantém prisão

No âmbito judicial, a 2ª Turma do STF formou maioria para manter as prisões preventivas de Costa e de Monteiro. O relator apontou a existência de indícios robustos de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo o entendimento predominante, a medida é necessária para garantir a ordem pública e econômica, além de evitar interferência nas investigações.

A defesa de Paulo Henrique Costa nega as irregularidades. O ex-presidente do BRB também trocou recentemente sua equipe de advogados, movimento que gerou especulações sobre uma possível colaboração com as autoridades.

Leia mais: O que é a Operação Compliance Zero?

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