O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta segunda-feira (27/04) que a ABC e a Disney demitam o apresentador Jimmy Kimmel. A solicitação ocorre após o comediante fazer piadas sobre a primeira-dama Melania Trump em seu talk show. O pedido foi divulgado dois dias depois de um incidente de segurança na Casa Branca.
Em seu programa exibido na quinta-feira (23/04), Kimmel apresentou um monólogo direcionado à primeira-dama. “Sra. Trump, a senhora tem um brilho de futura viúva”, afirmou o apresentador. Sobre o aniversário de Melania, que seria no domingo, o comediante declarou: “Ela está planejando comemorar em casa, como sempre faz, olhando pela janela e sussurrando: ‘O que foi que eu fiz?'”.
A reação presidencial intensificou-se após o incidente de segurança no sábado (25/04). Agentes do Serviço Secreto retiraram rapidamente Trump e Melania do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca após barulho de tiros. O presidente e seus aliados estabeleceram conexão entre as declarações do apresentador e a tentativa de ataque.
Trump caracterizou o monólogo como “odioso e violento”. Na rede Truth Social, o presidente escreveu que o conteúdo “não é comédia” e classificou-o como “corrosivo”. Segundo Trump, a tentativa de invasão envolveu um indivíduo armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas.
“Um dia depois, um lunático tentou entrar no salão do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas. Ele estava lá por um motivo muito óbvio e sinistro”, declarou o presidente. Trump afirmou que pessoas como Kimmel “não deveriam ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar ódio.”
O presidente acrescentou: “Agradeço que tantas pessoas estejam indignadas com o desprezível chamado à violência de Kimmel”. Trump também afirmou que Kimmel “se esconde” atrás da ABC. O presidente solicitou providências da empresa controladora, a The Walt Disney Company. Segundo Trump, as críticas do apresentador incluem referências a membros de sua família, como seu filho Barron Trump.
Melania Trump manifestou-se no X. A primeira-dama escreveu que “pessoas como Kimmel não deveriam ter a oportunidade de entrar em nossas casas todas as noites para espalhar ódio.” Ela afirmou: “O monólogo dele sobre a minha família não é comédia. Suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política nos Estados Unidos”.
A primeira-dama questionou: “Já chega. É hora de a ABC tomar uma posição. Quantas vezes a liderança da ABC continuará a permitir o comportamento atroz de Kimmel às custas da nossa comunidade?”
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, declarou em entrevista: “Quem em sã consciência diz que uma mulher estaria brilhando sob o hipotético assassinato do seu querido marido? Pelo que presenciei com a primeira-dama na noite de sábado, posso dizer que ela estava tudo, menos isso”.
A porta-voz também afirmou: “Essa retórica de ódio direcionada ao presidente dia após dia durante 11 anos ajudou a legitimar [esse tipo de discurso] e nos trazer a este momento tão obscuro. Aqueles que chamam ele [Trump] de fascista, de ameaça à democracia e o comparam com [o ditador nazista Adolf] Hitler estão corroborando para este tipo de violência”. Leavitt mencionou democratas que criticam as condutas do presidente.
Trump mencionou que a retórica contra ele persiste há 11 anos. No ano anterior, após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, o programa de Kimmel foi temporariamente retirado do ar. Kimmel havia declarado anteriormente: “Muitos no mundo dos apoiadores de Trump estão se esforçando para capitalizar em cima do assassinato de Charlie Kirk”. O programa retornou à programação da ABC após reação negativa dos telespectadores.
Não há informações sobre se a ABC ou a Disney responderão ao pedido de demissão. Também não foram divulgados detalhes sobre possíveis medidas disciplinares contra o apresentador ou mudanças na programação da emissora.
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