O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu-se com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta segunda-feira (27/04). O objetivo foi solicitar um posicionamento público favorável à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal. A articulação ocorre às vésperas da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, marcada para esta quarta-feira (29/04).
Guimarães pediu que Alcolumbre fizesse um aceno público de apoio ao indicado. Solicitou também que o presidente do Senado recebesse Messias formalmente na presidência da Casa. O governo avalia que a formalização do apoio pode reduzir resistências entre senadores indecisos.
Na semana passada, Messias e Alcolumbre participaram de um encontro reservado na casa de um interlocutor em comum, em Brasília. A reunião contou com convidados de fora da política. Estiveram presentes os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Durante o encontro, o indicado ao Supremo solicitou apoio diretamente ao presidente do Senado. Alcolumbre não assumiu compromissos. Sinalizou que asseguraria um ambiente institucional sem sobressaltos para a sabatina na CCJ.
Governo Teme Indefinição de Senadores
A avaliação no Planalto é que parte dos parlamentares permanece sem se posicionar na véspera da sabatina. O governo interpreta que a ausência de um aceno explícito de Alcolumbre mantém senadores indecisos. A formalização do apoio, em contraste com a reunião da semana passada realizada em ambiente privado, pode dar mais segurança aos parlamentares.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou: “Ontem, o ministro José Guimarães esteve com o presidente Davi e pediu para que ele recebesse o Messias. O formato que eu acho que deveria ser não aconteceu. Formalmente, aqui na presidência, não teve”.
Um levantamento do GLOBO mostra que mais de 30 senadores ainda evitam declarar publicamente seu voto. Messias reúne 26 votos favoráveis declarados. Ele precisa de pelo menos mais 16 votos entre os indecisos para chegar ao mínimo de 41 votos necessários para aprovação.
O governo projeta entre 44 e 48 votos. Aposta na aprovação, mas teme a margem apertada. Como mostrou o portal g1, o governo empenhou R$ 12 bilhões em emendas parlamentares em abril.
Uma parcela dos senadores indecisos, segundo aliados do governo, aguarda um sinal mais claro do presidente do Senado antes de se posicionar. Alcolumbre não tem atuado para orientar aliados a votarem a favor de Messias. Governistas interpretam isso como um sinal de distanciamento.
Nos bastidores, o presidente do Senado defendeu a indicação de Rodrigo Pacheco para a vaga. Em outras indicações ao Supremo, Alcolumbre atuou diretamente na defesa de nomes de sua preferência. Mobilizou sua base e ajudou a construir maiorias com antecedência.
Em paralelo à tentativa de obter um gesto político de Alcolumbre, o governo ampliou a articulação com senadores. A estratégia inclui a negociação de indicações para cargos e a liberação de recursos orçamentários.
Messias deve ter novos encontros com senadores nesta terça-feira (28/04). A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça ocorre nesta quarta-feira (29/04).




