As pesquisas eleitorais mais recentes, divulgadas pela Genial/Quaest, revelam um cenário eleitoral marcado por contrastes entre lideranças consolidadas e um ambiente ainda altamente volátil, tanto nos estados quanto na corrida presidencial de 2026.
No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes mantém ampla vantagem em todos os cenários testados, com intenções de voto que variam entre 34% e 40%. Seus principais adversários aparecem bem atrás: Douglas Ruas registra entre 9% e 11%, enquanto o ex-governador Anthony Garotinho soma cerca de 8%.
Os demais nomes testados no Rio concentram entre 7% e 9%. Em um eventual segundo turno, a superioridade de Paes permanece expressiva, com 49% das intenções de voto contra 16% de Douglas Ruas. Apesar da vantagem confortável, o cenário ainda está longe de ser definitivo: cerca de 20% dos eleitores se declaram indecisos e quase 60% afirmam que podem mudar de voto ao longo da campanha.
No Paraná, o quadro também aponta liderança clara, mas com espaço significativo para rearranjos políticos. O senador Sérgio Moro aparece à frente, com intenções de voto que variam entre 35% e 42%. Requião Filho registra 18% em cenários que incluem Rafael Greca, que tem 15%, mas sobe para 24% na ausência do prefeito na disputa. Já Sandro Alex aparece com patamar inicial entre 5% e 6%, ainda distante dos líderes.
Nos cenários de segundo turno, Moro vence todos os adversários testados, com 49% contra 30% de Requião Filho, 44% contra 29% de Greca e 51% contra 15% de Sandro Alex. Ainda assim, o ambiente eleitoral paranaense é considerado aberto.
A pesquisa no Paraná indica que 67% dos eleitores admitem possibilidade de mudança de voto, enquanto o governador Ratinho Jr., que tem cerca de 80% de aprovação, conta com apoio de 64% do eleitorado para eleger um sucessor.
Esse fator pode impulsionar o crescimento de Sandro Alex, especialmente considerando que 82% dos entrevistados ainda não sabem identificar o candidato apoiado pelo governador. Em contraste, Moro já é reconhecido por parte do eleitorado como um nome associado ao bolsonarismo, o que reforça a tendência de polarização em determinados cenários. A eventual desistência de Greca para apoiar Sandro Alex também pode reorganizar o campo político local.
No plano nacional, a pesquisa Atlas/Bloomberg de abril de 2026 aponta uma disputa presidencial mais equilibrada do que a observada no mesmo período do ciclo eleitoral de 2022. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera o primeiro turno com 46,6% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, que aparece com 39,7%.
No segundo turno, o cenário é de empate técnico: Lula registra 47,5%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 47,8%. O contraste com 2022 é significativo: à época, Lula mantinha vantagem ampla sobre Jair Bolsonaro, com 43% a 26% no primeiro turno e 55% a 34% no segundo, segundo dados do Datafolha.
O levantamento também indica um grau elevado de cristalização do eleitorado. Cerca de 69% dos entrevistados afirmam que não pretendem mudar de voto, índice que chega a 74% entre eleitores de ambos os principais polos.
Isso sugere uma disputa que tende a ser decidida nas margens, com papel relevante dos eleitores não alinhados, de terceira via ou com rejeição simultânea aos dois principais campos políticos. Ainda assim, a dinâmica de campanha pode alterar esse equilíbrio.
Em 2022, Jair Bolsonaro conseguiu reduzir uma desvantagem inicial significativa ao longo do processo eleitoral, o que reforça a importância da mobilização e da estratégia nos meses que antecedem a votação.
No cenário atual, Lula lidera, mas sem perspectiva clara de vitória antecipada. Sua principal vulnerabilidade está no risco de a eleição assumir caráter plebiscitário sobre o governo. Já Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de ampliar sua base para além do eleitorado tradicional da direita, especialmente entre mulheres e eleitores de menor renda, além de consolidar sua identidade política junto ao eleitorado popular.
O quadro geral, portanto, combina lideranças estabelecidas com alto potencial de mudança, em uma disputa que se desenha aberta e altamente competitiva tanto nos estados quanto no plano nacional.
Leia mais: Flávio Bolsonaro e Lula empatam tecnicamente no 2º turno, aponta AtlasIntel