O centro de São Paulo apresenta um novo cenário na área de segurança pública. Com o aumento do policiamento ostensivo e a intensificação de operações policiais, os índices de crimes contra o patrimônio e a vida recuaram. No primeiro trimestre do ano, a região alcançou os menores patamares de homicídios e roubos desde o início da série histórica, em 2001.
Entre janeiro e março, foram registrados oito homicídios na área da 1ª Delegacia Seccional, responsável pelo centro da capital — menos da metade dos 18 casos contabilizados no mesmo período de 2025. Em março, houve quatro ocorrências, número igual ao do ano anterior.
“As reduções históricas registradas no centro são resultado de um trabalho contínuo e integrado das forças de segurança desde o início da gestão, com reforço policial nas ruas, uso de inteligência e foco na desarticulação de organizações criminosas. Essas ações tornaram a região menos atrativa para a prática de crimes e foram determinantes para o enfraquecimento do tráfico e o fim do fluxo de dependentes”, disse o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
Os latrocínios também apresentaram queda, passando de dois registros para um no acumulado dos três meses.
Nos crimes patrimoniais, as reduções foram significativas, com destaque para a queda no roubos de carga e de veículos, que atingiram o menor nível em 26 anos na região.
Os roubos de veículos caíram de 51 para 24 casos, uma diminuição de 52,9%. Já os roubos de carga foram reduzidos pela metade, de 28 para 14 ocorrências. No total, os roubos em geral recuaram 12,3%, passando de 4.056 para 3.556 registros, configurando o segundo menor índice da série histórica.
“A Polícia Civil ampliou a capacidade investigativa na região central, identificando também receptadores e financiadores da cadeia criminosa. Essa atuação enfraqueceu a estrutura dos grupos e contribuiu para aumentar a segurança no centro para moradores, comerciantes e frequentadores”, complementa o delegado titular da 1ª Delegacia Seccional, Carlos Eduardo Carvalho.
Os furtos em geral também diminuíram, com 14.155 ocorrências no trimestre — queda de 8,8% em relação às 15.534 registradas no mesmo período do ano passado. Já os furtos de veículos somaram 644 casos, representando redução de 17,5% e a segunda menor marca desde 2001.
Fim do fluxo de dependentes
A melhora nos indicadores também está ligada à desmobilização do fluxo de dependentes químicos no centro de São Paulo, antes concentrado em áreas dos 3º e 77º Distritos Policiais (Campos Elíseos e Santa Cecília). Em maio, o esvaziamento da região completa um ano.
Segundo o tenente-coronel Major Vilardi, do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), os resultados decorrem de ações integradas, que incluem prisão de lideranças do tráfico e interceptação de drogas antes de chegarem às cenas abertas de uso.
Com a redução da concentração de usuários, também houve queda em delitos associados, como furtos e roubos de menor escala.
O reforço operacional incluiu ainda ampliação do patrulhamento — inclusive com motocicletas —, instalação de novas unidades policiais e intensificação de investigações sobre locais como ferro-velhos, hotéis e pensões ligados à lavagem de dinheiro do tráfico.
Além disso, as polícias Civil e Militar passaram a diferenciar criminosos de dependentes químicos, que passaram a ser encaminhados ao Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas, do Governo de São Paulo.




