Após a rejeição inédita do nome de Jorge Messias pelo Senado nesta quarta-feira (29/04), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a reavaliar os próximos passos para preencher a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores de Brasília, dois nomes ganham força imediata: Rodrigo Pacheco e Bruno Dantas.
Rodrigo Pacheco segue como o principal nome no radar de Lula, inclusive por já ter figurado em listas anteriores de possíveis indicados. Sua força política no Senado e interlocução com o governo continuam sendo trunfos, mas o cenário atual adiciona novos elementos de incerteza.
A proximidade com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre — apontado como um dos articuladores da rejeição de Jorge Messias —, pode se tornar um obstáculo já que o presidente avalia os custos políticos após a derrota no Senado.
Nos bastidores, há a leitura de que a escolha de Pacheco dependerá de intensa negociação, diante do risco de resistência ou de um gesto político do Planalto em resposta à articulação que barrou o primeiro indicado.
Por outro lado, Bruno Dantas surge como uma alternativa competitiva, apoiado pelo peso institucional do Tribunal de Contas da União (TCU). Sua articulação com diferentes setores — incluindo política e empresariado — reforça sua viabilidade, especialmente em um cenário que exige amplo diálogo para garantir aprovação no Senado.
Além desses nomes, volta ao debate a pressão para que Lula indique uma mulher ao STF. Antes mesmo da escolha de Messias, o presidente havia recebido uma lista com juristas mulheres, respaldadas por movimentos da sociedade civil. A demanda por maior representatividade na Corte segue viva e pode influenciar a decisão final.
Nesse contexto, ganha relevância a atual composição do Supremo. A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha é hoje a única mulher entre os 11 integrantes da Corte, sendo a única magistrada em meio a dez homens. No tribunal desde 2006, ela é reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos humanos, constitucionais e no combate à violência contra a mulher, o que reforça os argumentos de grupos que defendem maior equilíbrio de gênero no STF.
Diante do cenário, Lula deve calibrar sua escolha entre viabilidade política, aceitação no Senado e pressões sociais, em uma indicação que ganhou ainda mais peso após a rejeição histórica do primeiro nome apresentado.
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