Luís Filipe Pereira
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Especialista em Política e Relações Internacionais. Interessado por temas da Política e Economia. Nascido no Rio, já morou em São Paulo e agora vive em Brasília. Passagens por G1 e CNN Brasil.

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Comitiva portuguesa vai ao Senado tirar dúvidas sobre acordo Mercosul-UE

Após mais de duas décadas de negociação, o acordo entre os dois blocos entrou em vigor de forma provisória nesta sexta

Por Luís Filipe Pereira | Atualizado em
(Foto: Pedro França/Agência Senado)

Na semana em que entra em vigor de forma provisória o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, uma comitiva de deputados portugueses da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas foi recebida em Brasília.

Chefiada pelo deputado José Cesário, a delegação estrangeira esteve na embaixada de Portugal e também no Senado Federal, onde o presidente da Comissão de Relações Exteriores, Nelsinho Trad (PSD-MS), apresentou aos parlamentares portugueses o modelo do grupo de trabalho para acompanhar a implementação do acordo.

“Já recebemos delegação holandesa, dinamarquesa. Eles têm receio. E, vão, a partir do momento em que se implantar o funcionamento do acordo, ver como isso vai funcionar na prática. Nós criamos as salvaguardas, criamos grupos de trabalho para poder identificar setores que porventura poderão vir a ser prejudicados, tanto no agronegócio como na indústria. Trabalhamos junto com o governo federal para mitigar possíveis prejuízos”, afirmou Nelsinho Trad.

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Vigência provisória

Mercosul e União Europeia reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22,4 trilhões. Concluído após mais de duas décadas de negociação, o acordo entre os países que integram os blocos entrou em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º).

Leia mais: Acordo Mercosul-União Europeia: quem ganha e quem perde?

Em tempos de crise do multilateralismo, nações como Alemanha e Espanha veem o tratado como oportunidade de reduzir a dependência da China, principalmente em relação a minerais críticos.

Por outro lado, o setor de produção agrícola de países como a França tem se colocado como grande dificultador da consolidação dos termos assinados, e segue pressionando políticos locais sobre os riscos para o setor caso os produtos oriundos do Mercosul cheguem ao mercado europeu sem barreiras comerciais.

Somado a isso, também é esperada uma abertura do mercado brasileiro a artigos fabricados na Europa, como carros, autopeças, calçados produzidos a partir de couro e medicamentos, além de gêneros alimentícios como vinho, peixes em conserva, bebidas destiladas e biscoitos.

O Parlamento Europeu optou por contestar judicialmente o acordo no tribunal superior da União Europeia, e a Comissão Europeia optou por aplicar de forma provisória o acordo a partir de 1º de maio. A previsão é que a sentença judicial saia em até 18 meses.

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