Atualizada às 12:18
Uma técnica de enfermagem acusa o senador Magno Malta (PL-ES) de agressão física durante procedimento médico. A profissional registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal na noite de quinta-feira (30/05). O parlamentar estava internado no Hospital DF Star para investigação de causas neurológicas e cardiovasculares. A defesa do senador nega as acusações.
Segundo o boletim de ocorrência, o incidente aconteceu durante exame de angiotomografia. A profissional levou o parlamentar até a sala de exame, realizou a monitorização e preparou o acesso venoso. O equipamento detectou oclusão e pressão durante a injeção de contraste, interrompendo automaticamente o procedimento.
A técnica entrou na sala para verificar a situação. Ela identificou que o contraste havia extravasado no braço do senador. Conforme o relato registrado, “quando a vítima se aproximou para ajudá-lo, ele desferiu um tapa forte no rosto da vítima, chegando a entortar seus óculos”.
A profissional afirma que o parlamentar proferiu xingamentos. Ele teria chamado a técnica de “imunda” e “incompetente”. O documento registra que “A vítima informa que saiu da sala imediatamente e chamou a enfermeira e o médico, atendimento este que foi recusado pelo agressor”.
Malta foi internado na manhã de quinta-feira (30/05) após apresentar quadro de pressão baixa. O episódio ocorreu quando ele chegou ao Congresso Nacional para participar da sessão que derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria. O senador foi submetido ao exame de angiotomografia durante a internação.
A assessoria jurídica do parlamentar informou ao g1 que ele está internado há dois dias no Hospital DF Star. O senador possui histórico de tratamento oncológico com comprometimento da medula óssea. A defesa afirma que o extravasamento do contraste causou trombose e hematoma no braço direito, quadro considerado de “elevada gravidade clínica”.
A assessoria jurídica de Magno Malta divulgou nota repudiando “com veemência” o que classificou como “grave distorção dos fatos”. A defesa sustenta que o contraste foi administrado de forma incorreta durante o exame.
Segundo a nota, o senador estaria sob forte medicação, com cognição afetada e em dor intensa. Ele teria reagido ao sofrimento físico “e não à pessoa da técnica”. A assessoria nega qualquer agressão física ou verbal. A defesa caracterizou o relato da profissional como “narrativa forjada”.
“Causa estranheza que a profissional envolvida tenha buscado registrar versão própria dos fatos, em evidente atitude defensiva diante da possibilidade de responsabilização pelo grave ocorrido”, afirma o senador em nota.
Os advogados do parlamentar analisam medidas judiciais. As ações incluem pedido de danos morais, notícia-crime por falsa comunicação de crime e representação no Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF). A defesa também avalia possível responsabilização do hospital.
O Hospital DF Star informou em nota que abriu apuração administrativa sobre o ocorrido. A instituição afirma que “vem dando todo o suporte à colaboradora que relatou ter sido vítima de agressão”.
A nota da assessoria do senador registra que “Diante da situação e da forma como foi tratado, o senador deixou sozinho a sala de exames (estava desacompanhado nesse momento)”.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal repudiou o caso. O órgão informa que está acompanhando a situação e se coloca à disposição da profissional envolvida para oferecer suporte.
“A atuação desses profissionais não pode ser marcada por episódios de violência. Nenhuma posição ou condição autoriza agressões, e toda conduta dessa natureza deve ser tratada com o rigor da lei”, afirma a nota do Conselho.
“O Conselho também orienta que situações de violência sejam formalmente registradas, para que as medidas cabíveis sejam adotadas pelos órgãos competentes”, completa o posicionamento.
A Polícia Civil do Distrito Federal deverá investigar as circunstâncias do ocorrido para determinar o que efetivamente aconteceu durante o procedimento médico.
Em nota divulgada por sua defesa, o senador Magno Malta negou as acusações de agressão, afirmando que sua reação foi motivada por dores intensas resultantes de um erro da profissional durante o exame.
Segundo o documento, a técnica teria administrado o contraste de forma incorreta, causando o extravasamento do líquido, o que gerou uma trombose e um expressivo hematoma no braço do parlamentar.
A assessoria jurídica sustenta que o senador, sob forte medicação e com a cognição afetada devido ao seu quadro de saúde, apenas exteriorizou o sofrimento físico e acionou o médico responsável, sem praticar qualquer ato de violência contra a funcionária.
A defesa do parlamentar classifica a denúncia como uma narrativa forjada com o objetivo de acobertar a falha técnica, proteger o vínculo empregatício da enfermeira e blindar o hospital de possíveis responsabilizações.
Ressaltando a fragilidade clínica de Malta — agravada por seu histórico como sobrevivente de tumor maligno com lesão na medula óssea —, os advogados informaram que preparam medidas nas esferas cível, criminal e administrativa.
Entre as ações em análise estão a cobrança de indenização por danos morais, uma denúncia por falsa comunicação de crime e uma representação contra a profissional no Conselho Regional de Enfermagem (COREN-DF).




