Neste domingo (03/05), o governo do Equador estabeleceu restrição de circulação noturna em nove províncias e quatro cantões do país. A medida permanecerá em vigor até 18 de maio. O horário de restrição será das 23h às 5h, período em que a população dessas regiões terá a circulação limitada.
As autoridades classificaram os territórios incluídos no decreto como áreas com maior concentração de crimes e atuação de grupos criminosos organizados.
As províncias sob restrição são Guayas, Manabí, Santa Elena, Los Ríos, El Oro, Pichincha, Esmeraldas, Santo Domingo de los Tsáchilas e Sucumbíos. Os cantões La Maná, Las Naves, Echeandía e La Troncal também estão incluídos na medida.
O decreto suspende o direito à livre circulação de pessoas durante o período noturno estabelecido. A inviolabilidade do domicílio também fica suspensa, autorizando as autoridades a realizarem buscas e apreensões.
O direito à inviolabilidade da correspondência igualmente deixa de vigorar durante a restrição. As autoridades poderão revisar e-mails e mensagens com objetivo de neutralizar potenciais ameaças.
Os Ministérios da Defesa, do Interior, a Polícia Nacional e as Forças Armadas ficarão responsáveis pela implementação do decreto. A execução ocorrerá em coordenação com todas as entidades e instituições competentes.
Profissionais essenciais vinculados a serviços de saúde públicos e privados poderão circular durante o horário do toque de recolher. Agentes da lei, profissionais de gestão de riscos e equipes de resposta a emergências e desastres também receberam autorização para deslocamento.
O decreto estabelece outras exceções que serão avaliadas conforme o contexto de necessidade e emergência para pessoas que precisarem viajar ou se deslocar durante a vigência da medida.
González apresentou dados sobre as consequências econômicas da medida anterior. “Estima-se que 73% das empresas com algum tipo de atividade noturna relatam uma redução de 40% nas vendas, e aquelas que operam somente à noite estão registrando perdas de até 70% ou 80%”, declarou.
O Equador registrou 2.509 homicídios entre janeiro e abril de 2026. A província de Guayas concentra 1.098 assassinatos no período, correspondendo a 43,8% do total nacional. Os dados constam em relatório do Comando Conjunto das Forças Armadas citado no decreto.
O governo caracteriza Guayas como o “epicentro da violência letal” no país.
O decreto governamental admite um efeito “pós-toque de recolher” que ocorre quando termina uma medida desse tipo. Conforme o documento, a atividade criminosa é redirecionada para províncias não incluídas na restrição.
“Não houve neutralização estrutural, mas sim um deslocamento geográfico das atividades criminosas”, afirma o decreto.
O governo sustenta que a ameaça “não foi totalmente neutralizada”, mesmo nos territórios onde o estado de emergência está em vigor, “com alta concentração de violência letal e persistência do crime organizado”.




