A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é investigada pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy por agredir uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses. O caso aconteceu no dia 17 de abril em Paço do Lumiar, município da Grande São Luís. A vítima, identificada como Samara, havia aceitado o trabalho com contrato de apenas um mês para comprar o enxoval do bebê. A informação é da TV Mirante.
Nas gravações, Carolina Sthela descreve as agressões cometidas contra a empregada. A Polícia Civil do Maranhão confirmou à produção da emissora a autenticidade das mensagens, anexadas ao inquérito policial.
Nas gravações, a empresária relata que contou com a participação de um homem ainda não identificado para pressionar a trabalhadora de forma violenta. Carolina Sthela acreditava que Samara havia roubado um anel de sua residência. A vítima foi submetida a agressões que duraram mais de uma hora, conforme descrito pela própria suspeita nos áudios.
O marido de Carolina Sthela declarou à TV Mirante que as mensagens divulgadas são “inverdades”. A suspeita não foi presa nem indiciada.
Homem armado participa das agressões
Na manhã do dia 17 de abril, o homem chegou armado à casa de Carolina Sthela. “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava”, relatou a suspeita.
Após a chegada do homem, Carolina Sthela chamou a empregada para uma conversa sobre o desaparecimento do anel. “Aí eu (falei): ‘Samara, faz favor, vem cá. Ontem sumiu meu anel, você sabe, né? Aqui não entrou ninguém de fora, só a gente, a única pessoa estranha é você. E meu anel não tem perna e nem asa pra andar voando. Então eu quero que você vá pegar meu anel de onde você botou, pra gente não ter problema’, descreveu a mulher.
As agressões começaram enquanto a empregada procurava o anel nos quartos da casa. Nos áudios, a suspeita descreve como o homem armado iniciou a violência contra a vítima. Ele colocou a arma na boca da trabalhadora. A forçou a indicar onde estaria o objeto enquanto apontava para diferentes locais da residência.
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“Puxou a bicha, botou assim, tirou a touca da cabeça dela, pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha e botou na boca dela.” ‘Eu acho bom tu entregar logo esse anel, onde é que tá? Tá aqui? Bora brincar de quente ou frio. Tá aqui em cima, tá aqui embaixo?’ Aí onde ele ia apontando, botava a cabeça dela se tava”, relatou a empresária.
A busca pelo anel durou mais de uma hora. O objeto foi encontrado no cesto de roupa suja. Mesmo após a localização, as agressões contra a empregada doméstica continuaram.
Carolina Sthela descreve nos áudios que agrediu a vítima com tapas e murros. As agressões causaram lesões em suas próprias mãos. “Tapa e tapa, menina, dei. Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje meu dedo chega tá roxo”, contou Carolina.
A empresária também afirmou nos áudios que ela e o homem armado praticaram diversos tipos de violência contra a empregada durante quase uma hora. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, disse a suspeita nas mensagens.
No dia seguinte às agressões, a empregada registrou boletim de ocorrência. Realizou exame de corpo de delito, que confirmou as lesões no corpo da vítima. Fotografias mostram marcas visíveis pelo corpo da mulher. A marca na testa, segundo a empregada, foi causada por uma coronhada.
Suspeita afirma que vítima “não era pra ter saído viva”
Após o registro do boletim, a polícia foi até a residência da suspeita. Carolina relata nos áudios que o policial que atendeu a ocorrência era conhecido dela. Segundo a empresária, o agente explicou que deveria conduzi-la à delegacia devido aos hematomas visíveis na vítima. O policial não o fez.
“Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram pra de manhã mesmo aqui. Mas veio com um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir pra delegacia, porque tá cheia de hematoma’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era pra ter saído viva’, afirmou Carolina.
A empresária também registrou boletim de ocorrência. A versão apresentada por ela à polícia difere do relato feito nos áudios. Na delegacia, Carolina afirmou que sentiu falta de joias que usava no dia a dia. Procurou pela casa sem encontrá-las.
Segundo o boletim registrado pela suspeita, ela pediu para ver a bolsa da empregada. As joias estavam lá. Carolina disse à polícia que chamou os agentes. A empregada saiu correndo pelo condomínio.
A Secretaria de Segurança Pública foi procurada pela reportagem para se manifestar sobre o áudio em que a suspeita afirma que o policial era amigo dela. A SSP-MA ainda não retornou aos contatos da reportagem.
A polícia informou que existem mais de dez processos envolvendo Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. Em um processo de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro.
O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês. A sentença foi proferida em outubro do ano passado. A acusada foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto. A pena foi substituída por prestação de serviço comunitário.
Carolina também foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais à ex-babá. A TV Mirante conversou com Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos.
Sandila afirmou que atualmente não mora mais no Maranhão. Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros. Nunca diretamente pela patroa. Ela também afirmou que a indenização por danos morais ainda não foi paga.
“Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela viu saindo com as minhas malas e falou que ela ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia falar que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei eu não roubei a pulseira do seu filho, mas se você quiser ir lá, você pode ir que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas”, relatou Sandila.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil informou que está elaborando um relatório sobre os processos judiciais que envolvem Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. A entidade acompanha o caso registrado na semana passada na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy, em Paço do Lumiar.
A TV Mirante procurou Carolina Sthela Ferreira dos Anjos para obter posicionamento sobre as acusações. Por meio de nota, a suspeita declarou que as alegações representam “uma distorção do que realmente aconteceu”. Ela afirmou que todas as medidas jurídicas cabíveis já foram adotadas para esclarecer os fatos relacionados ao caso.
A investigação segue em andamento na 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy.




