A coluna de hoje chama atenção para uma recente entrevista do vice-presidente de Deep Learning da NVIDIA, Bryan Catanzaro, que repercutiu bastante não só no mundo da tecnologia, mas também no mercado de negócios.
Segundo ele e vale destacar quem está dizendo isso: um vice-presidente da NVIDIA, para muitas tarefas, a inteligência artificial não é necessariamente mais barata ou mais produtiva do que o trabalho realizado por seres humanos.
Algumas consultorias, inclusive, já estão revisando para baixo o potencial de aplicação da IA. Há estimativas de que apenas 27% das atividades e tarefas poderão, de fato, ser substituídas ou operar com alta intensidade de inteligência artificial, enquanto o restante não justificaria essa adoção.
O motivo? Segundo Catanzaro, a IA ainda é cara, consome muita energia, exige chips extremamente caros e específicos e, em muitos casos, não compensa financeiramente. Ou seja: ainda pode ser mais barato e mais eficiente contar com uma pessoa.
Mas será que isso condena toda a estratégia de investimentos no setor?
Só para dar dimensão: considerando apenas as big techs, a previsão é que, em 2026, os investimentos ultrapassem US$ 600 bilhões somente em data centers, sem contar todo o desenvolvimento de infraestrutura e outras frentes relacionadas.
Ao mesmo tempo, muitas empresas tentam implementar inteligência artificial, mas ainda não estão alcançando os resultados esperados.
Mas Catanzaro também pondera ao ressaltar que para muitas situações, a inteligência artificial realmente não será a resposta ideal neste momento. Mas, quando falamos de tecnologia, existe um padrão já conhecido de que ao longo do tempo, ela tende a se tornar mais eficiente, competitiva e barata. Ou seja, essa é a fotografia de 2026.
Ainda assim, foi uma declaração suficiente para gerar certo abalo no mercado, justamente por vir da própria NVIDIA, ao admitir que, neste momento, a inteligência artificial ainda está longe de ser uma solução economicamente viável para tudo.
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