E se as pessoas pudessem ter muito mais controle sobre os seus dados e privacidade, especialmente, nas redes sociais? Pois bem, é exatamente isso que a União Europeia está propondo com um projeto chamado Eurosky.
Esse projeto não é uma nova rede social, mas uma infraestrutura, uma plataforma em que, de um lado, os usuários teriam os seus dados, como os conteúdos que navegam, e, do outro, as redes sociais acessariam essas informações mediante permissão. Ou seja, o usuário teria domínio não só dos seus dados, mas também dos algoritmos. Teria mais controle sobre que tipo de conteúdo, anúncio ou recurso deseja ou não ver.
Isso seria uma inversão radical daquilo que vivemos até hoje. Nós usamos aplicativos que são pretensamente gratuitos, mas no final das contas estamos depositando os nossos comportamentos, os nossos dados, que são explorados por fins comerciais. Até aí tudo bem, não há nada de errado com esse modelo em si. Mas ao longo do tempo, isso causou uma série de transtornos em relação à privacidade.
A pessoa comenta algo e, de forma mágica, claro que não é coincidência, começa a receber ofertas daqueles produtos. Além disso, nos últimos anos, tivemos todas as polêmicas envolvendo crianças, adolescentes, o vício e o excesso das telas.
A proposta da União Europeia inverte essa lógica e dá muito mais poder ao usuário. O projeto Eurosky seria uma conexão que salvaguardaria os dados pessoais. Vale lembrar que a União Europeia já tem vanguarda nesse tipo de iniciativa, com a lei geral de proteção de dados que inspirou legislações ao redor do mundo, incluindo o Brasil.
A dúvida, agora, é que devemos esperar resistência por parte das bigtechs. Afinal, essa camada intermediária poderia, de alguma maneira, prejudicar os seus negócios. Do outro lado, porém, esse modelo pode se expandir para o restante do mundo.
E então fica a pergunta: será que continuaremos nesse modelo em que as pessoas depositam os seus dados nos aplicativos e têm muito pouco controle sobre isso? Ou será que o modelo proposto pela União Europeia vai acabar avançando e se transformando em uma espécie de padrão global?
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