A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou, em entrevista exclusiva à TMC, nesta sexta-feira (08/05), que a operação de busca e apreensão realizada contra o parlamentar se baseia apenas em elementos obtidos em celulares de terceiros e não apresenta provas diretas contra ele.
O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a medida causou “perplexidade” e classificou como insuficientes os fundamentos utilizados na decisão.
Segundo ele, não há “qualquer conversa, mensagem ou ação do próprio senador” que justifique a diligência. Kakay argumenta que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, medidas invasivas como busca e apreensão exigem elementos externos de corroboração — o que, na avaliação da defesa, não estaria presente no caso.
O advogado também criticou a utilização de conteúdos extraídos de aparelhos de terceiros como base principal da investigação. “Na nossa visão, não justificaria uma busca e apreensão”, afirmou.
Apesar das críticas, Kakay destacou que a Polícia Federal atuou com “seriedade” no cumprimento da medida, sem a “espetacularização” observada em operações passadas, como na época da Lava Jato.
A defesa informou ainda que solicitou acesso integral aos autos da investigação e pretende fazer o “enfrentamento passo a passo” do caso, após análise completa do material.
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Kakay também negou a existência de qualquer pagamento irregular ao senador, rebatendo informações que circulam na imprensa sobre uma suposta “mesada”. Segundo ele, a eventual quebra de sigilos bancário e fiscal pode, inclusive, servir como prova de inocência.
“Não há absolutamente nenhuma hipótese de ter sido feito pagamento de uma espécie de mesada para o Ciro Nogueira”, declarou.
A defesa afirma que seguirá atuando “com calma e técnica” na condução do caso.




