Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Operação do Banco Master amplia tensão política e eleitoral para 2026

Avanço da investigação aumenta desgaste sobre aliados de Ciro Nogueira, afeta articulações em Brasília e já provoca reflexos no cenário eleitoral

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
(FOTO: Lula Marques/Agência Brasil)

A nova fase da operação da Polícia Federal envolvendo o Banco Master aprofundou a pressão política sobre aliados do senador Ciro Nogueira e ampliou os desdobramentos da investigação para além do campo jurídico. Nos bastidores de Brasília, a ofensiva é interpretada como um recado direto para que Daniel Vorcaro apresente uma delação mais consistente e com informações consideradas relevantes pelos investigadores.

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A avaliação predominante dentro da Polícia Federal é de que as apurações já avançam com base em provas próprias, reduzindo a dependência de eventual colaboração do ex-banqueiro. O entendimento é de que os anexos entregues até agora à PF e à Procuradoria-Geral da República ainda são insuficientes para garantir a validação do acordo de delação no Supremo Tribunal Federal.

Sem fatos novos, provas robustas e mecanismos de ressarcimento financeiro, cresce a percepção de que a homologação encontrará maior resistência.

O avanço da operação trouxe efeitos imediatos sobre o ambiente político em Brasília. Um dos principais pontos de atenção envolve a proximidade de Ciro Nogueira com lideranças da Câmara dos Deputados, especialmente o presidente da Casa, Hugo Motta, que atualmente mantém alinhamento político com o Palácio do Planalto, apesar de uma relação historicamente marcada por oscilações.

Entre os episódios que voltaram ao centro das atenções está uma viagem realizada durante a Semana Santa do ano passado ao Caribe, da qual participaram Hugo Motta, Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. O voo passou a ser investigado após o piloto desembarcar no Aeroporto Catarina, em São Roque, no interior paulista, com bagagens fora do procedimento padrão de raio-X.

Como a lista incluía parlamentares com foro privilegiado, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que já solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. O episódio, que já era considerado sensível do ponto de vista político e de imagem, ganhou novo peso com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.

Mesmo diante desse cenário, a tendência no curto prazo é de manutenção da aliança entre o governo Lula e Hugo Motta. O Palácio do Planalto depende do apoio do presidente da Câmara para acelerar pautas consideradas prioritárias, como o projeto que trata do fim da escala 6×1 e o PLP dos Combustíveis. O governo também considera estratégica a recente aprovação do projeto dos minerais críticos, entregue à Câmara antes da viagem de Lula aos Estados Unidos para a reunião com Donald Trump.

Ao mesmo tempo, o governo decidiu adotar um tom mais moderado na reação à rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A expectativa é de retomada do diálogo entre Lula e Davi Alcolumbre nos próximos dias, em uma tentativa de reconstruir a relação política e preservar condições mínimas de governabilidade no Congresso Nacional.

No campo eleitoral, os desdobramentos da operação também já começam a produzir efeitos. Aliados do governo Lula passaram a intensificar o uso do slogan “BolsoMaster” como estratégia para associar o escândalo financeiro ao entorno político do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ligação de Ciro Nogueira com o governo Bolsonaro, no qual ocupou o cargo de ministro da Casa Civil, deve ser explorada pelo campo governista ao longo dos próximos meses.

Na Câmara dos Deputados, líderes do PT e do governo voltaram a defender a abertura de uma CPI do Banco Master. Apesar disso, a avaliação predominante nos bastidores políticos é de que a proposta tem mais valor discursivo e eleitoral do que viabilidade prática. O cenário mais provável, neste momento, continua sendo o de não instalação da comissão.

Do lado da oposição, a crise não deve inviabilizar uma eventual composição entre Flávio Bolsonaro e partidos ligados ao Progressistas, embora possa retardar a formalização do apoio da federação PP-União Brasil à candidatura presidencial do senador. A possibilidade de Ciro Nogueira ocupar espaço em uma chapa majoritária, por outro lado, praticamente deixou de ser considerada diante do avanço das investigações.

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