O governo das Ilhas Canárias, arquipélago da Espanha localizado no Oceano Atlântico, informou neste sábado (09/05) que não vai autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus. A decisão foi anunciada poucas horas antes da operação prevista para o desembarque de passageiros em Tenerife.
Segundo autoridades locais, o veto ocorreu por causa da falta de informações consideradas suficientes sobre a segurança sanitária da operação. O jornal espanhol “ABC” informou que também houve divergência sobre o tempo de permanência do navio no porto.
O presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, afirmou que o arquipélago não recebeu garantias técnicas capazes de assegurar risco zero à população local.
“Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço. Não sem relatórios, não com imposições do Estado e não colocando em perigo a segurança sanitária do povo das Ilhas Canárias”, escreveu o político na rede social X.
Em entrevista coletiva, Clavijo acrescentou que os critérios técnicos disponíveis recomendam que o navio permaneça “o menor tempo possível” nas ilhas.
Apesar da proibição da ancoragem, ainda não está claro como a decisão vai impactar o desembarque dos passageiros, já que a retirada das pessoas do navio também poderia ser feita por embarcações menores.
Pouco depois do anúncio do governo regional, o jornal “El País” informou que o governo central da Espanha determinou que as Ilhas Canárias recebessem o cruzeiro, ampliando a tensão política entre Madri e o arquipélago.
O secretário de Saúde da Espanha, Javier Padilla, divulgou nas redes sociais um relatório de inspeção realizado por especialistas a bordo. Segundo ele, não foram encontrados roedores no navio e a possibilidade de algum animal chegar ao território canário seria “nula”.
O MV Hondius pertence à operadora holandesa Oceanwide Expeditions e partiu de Ushuaia, na Argentina, em 01/04. O último balanço divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitas, incluindo três mortes.
Entre as vítimas estão um casal holandês e uma mulher alemã. Segundo a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”.
O hantavírus é uma doença rara, sem vacina ou tratamento específico, que pode provocar uma síndrome respiratória aguda grave.
Antes da decisão do governo local, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro.
Em carta aberta aos moradores das Canárias, Tedros reconheceu a preocupação da população, especialmente diante das lembranças deixadas pela pandemia de Covid-19.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu.
O diretor-geral da OMS também reconheceu a gravidade da cepa registrada no navio e lamentou as mortes já confirmadas.
As Ilhas Canárias possuem autonomia administrativa dentro da Espanha, embora áreas como defesa, política externa e controle de fronteiras permaneçam sob responsabilidade do governo central em Madri. O arquipélago é considerado estratégico para o turismo, o comércio marítimo e o controle migratório no Atlântico.
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