Governo espanhol entra em choque com Ilhas Canárias por navio com hantavírus

Autoridades locais alegam falta de garantias sobre segurança da operação; OMS diz que risco à população é baixo

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Um agente da Guarda Civil espanhola faz a segurança no porto de Granadilla de Abona, onde o cruzeiro MV Hondius deve atracar após ser afetado por um surto de hantavírus, em Tenerife, na Espanha, em 09/05/2026.
Um agente da Guarda Civil espanhola faz a segurança no porto de Granadilla de Abona, onde o cruzeiro MV Hondius deve atracar após ser afetado por um surto de hantavírus (Hannah McKay/Reuters)

O impasse entre o governo da Espanha e o governo regional das Ilhas Canárias aumentou neste sábado (09/05) após a recusa das autoridades locais em autorizar a ancoragem do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus que já deixou três mortos e seis casos confirmados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A decisão do governo das Canárias foi anunciada poucas horas antes da operação prevista para o desembarque dos passageiros em Tenerife. O arquipélago alegou falta de garantias sanitárias e criticou a condução da operação pelo governo central espanhol.

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O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, afirmou que a região não recebeu informações técnicas suficientes para assegurar “risco zero” à população local. Em publicação nas redes sociais, ele declarou:

“Colaboração, sim. Solidariedade, também. Mas não a qualquer preço”, ao criticar o que chamou de “imposição” de Madri.

Segundo o jornal espanhol “ABC”, além das preocupações sanitárias, houve divergência entre os governos sobre o tempo que o navio permaneceria ancorado no porto de Tenerife.

Pouco depois da negativa regional, o governo espanhol determinou que as Ilhas Canárias recebessem o cruzeiro por razões de segurança marítima e assistência sanitária. A ordem foi emitida pela Direção-Geral da Marinha Mercante, órgão responsável pela regulação da navegação na Espanha.

O episódio expôs um choque institucional entre Madri e o arquipélago, que possui autonomia administrativa, mas continua subordinado ao governo central em áreas estratégicas, como defesa e controle de fronteiras.

A principal preocupação das autoridades locais envolve o risco de contaminação por roedores, transmissores do hantavírus. Durante entrevista coletiva, Clavijo afirmou temer que animais deixassem o navio e chegassem ao território canário.

Em resposta, o secretário de Saúde da Espanha, Javier Padilla, divulgou um relatório técnico produzido após inspeção no cruzeiro. Segundo ele, não foram encontrados roedores a bordo e a possibilidade de algum animal alcançar a costa das Canárias seria “nula”.

Mesmo com o veto à ancoragem, ainda não há definição sobre como será feito o desembarque dos passageiros, que também poderia ocorrer por meio de embarcações menores.

A operação mobilizou autoridades sanitárias e militares espanholas. A Unidade Militar de Emergências (UME), ligada ao Exército, foi acionada para transportar passageiros em quarentena até o aeroporto de Tenerife-Sul após empresas privadas recusarem participar da operação, segundo a imprensa local.

O MV Hondius pertence à operadora holandesa Oceanwide Expeditions e partiu de Ushuaia, na Argentina, em 01/04.

De acordo com a OMS, o último balanço aponta seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos, incluindo três mortes — um casal holandês e uma mulher alemã. Todos os passageiros e tripulantes foram classificados como “contatos de alto risco”.

O hantavírus é uma doença rara transmitida principalmente pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A infecção pode provocar síndrome respiratória aguda grave e não possui vacina nem tratamento específico.

A crise também reacendeu lembranças da pandemia de Covid-19 entre moradores das Canárias. Neste sábado, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife para acompanhar a operação.

Em carta aberta aos moradores do arquipélago, Tedros tentou reduzir a tensão e afirmou que o cenário atual é diferente do enfrentado em 2020.

“Isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o dirigente da OMS.

Leia mais: Governo das Canárias quer impedir entrada de navio com casos de hantavírus às vésperas de desembarque

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