O Vaticano alertou nesta quarta-feira (13/05) que a Fraternidade São Pio X pode ser excomungada caso ordene novos bispos sem autorização do papa Leão XIV. O grupo ultratradicionalista anunciou em fevereiro a intenção de realizar a consagração em julho.
Segundo o escritório doutrinário do Vaticano, a ordenação de bispos sem consentimento papal configura cisma — ruptura formal com a Igreja Católica. A medida geraria excomunhão automática tanto para quem ordena quanto para quem é ordenado.
A excomunhão é a punição mais severa da Igreja Católica. Pessoas excomungadas ficam impedidas de receber sacramentos como comunhão e confissão, além de não poderem ocupar cargos religiosos. Na prática, significa separação total da instituição.
O que disse o Vaticano
O cardeal Victor Fernández, chefe do escritório doutrinário do Vaticano, classificou a possível ordenação como “uma grave ofensa contra Deus e acarretaria a excomunhão prevista pela Igreja”.
A Igreja Católica estabelece que apenas o papa tem autoridade para autorizar a consagração de bispos. A regra remonta à estrutura hierárquica que considera o pontífice sucessor direto do apóstolo Pedro.
Quem é a Fraternidade São Pio X
A Fraternidade São Pio X é um grupo ultratradicionalista que rejeita mudanças aprovadas pelo Concílio Vaticano II, encontro de bispos católicos realizado na década de 1960. O concílio promoveu reformas como a celebração da missa em idiomas locais, substituindo o latim.
O grupo afirma ter 733 padres espalhados pelo mundo e mantém a celebração da missa exclusivamente em latim, seguindo o rito anterior às reformas.
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Histórico de conflito
Em 1988, o fundador da fraternidade, arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado pelo papa João Paulo II após ordenar quatro bispos sem autorização papal. A decisão gerou ruptura formal entre o grupo e o Vaticano.
O papa Bento XVI, sucessor de João Paulo II, revogou as excomunhões dos quatro bispos ordenados por Lefebvre e buscou reaproximar o grupo da Igreja. As tentativas de diálogo, porém, não avançaram.
A Fraternidade São Pio X não se pronunciou oficialmente após o alerta do Vaticano. O grupo mantém o anúncio de que realizará a ordenação de novos bispos em julho.
Caso a consagração ocorra sem autorização papal, a excomunhão será automática, conforme previsto no direito canônico — o conjunto de leis que regem a Igreja Católica.




