“Se tivessem sido minimamente responsáveis, teriam exigido os balanços”, critica Arruda sobre atuação da CLDF no caso Master

TMC Brasília faz segunda entrevista da sabatina com pré-candidatos ao Palácio do Buriti. José Roberto Arruda falou sobre BRB e Master, crise fiscal, polarização política e gestão do DF

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O pré-candidato e ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) fez duras críticas à atual gestão do Governo do Distrito Federal e à Câmara Legislativa (CLDF). Em entrevista exclusiva à TMC Brasília, Arruda afirmou que o Distrito Federal enfrenta um cenário de “desorganização” administrativa e financeira, que resultou no caso Master.

“Um assalto em plena luz do dia”, classificou o ex-governador. “A ousadia dessas pessoas de comprar 30 bilhões de títulos podres, dando um prejuízo de 16 bilhões para o governo, é algo impensável”, avaliou.

Segundo Arruda, salvar o BRB será uma das tarefas mais difíceis para o próximo governador. “São 16 bilhões de reais de furo. Isso é uma coisa gigantesca e não terá uma solução fácil. Brasília corre um risco sério de perder o BRB. Ou perder porque ele pode ser liquidado, ou porque pode ter uma intervenção”, ressaltou. Ele ainda criticou a expansão do banco para outros estados e até para fora do país. “O BRB deu o passo maior que a perna. Abriu agência em Dubai, Nova York, Corrente, no Piauí. Virou uma bagunça geral”, afirmou.

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Durante a entrevista, Arruda também demonstrou preocupação com servidores e correntistas da instituição. “São 5.500 funcionários que estão aí sem dormir, com medo de perder o emprego. Milhares e milhares de correntistas, inclusive eu”, relatou o ex-governador.

A atuação da Câmara Legislativa do Distrito Federal também foi alvo de críticas. Arruda afirmou que a negociação entre o Banco de Brasília e o Banco Master aconteceu sem uma análise aprofundada dos documentos. “Aprovaram em 12 horas a compra do Master sem analisar os documentos. Se tivessem sido minimamente responsáveis, teriam exigido os balanços prévios, teriam feito uma pesquisa de mercado”, argumentou.

Cenário Fiscal

Ao falar sobre o cenário fiscal do Distrito Federal, Arruda afirmou que o governo enfrenta um quadro de déficit e desorganização administrativa. “Nas palavras do próprio secretário da Fazenda, o governo está bagunçado, desordenado e com déficit público gigante. O governo tem que gastar menos do que arrecada”, avaliou.

Arruda afirmou que pretende reduzir estruturas administrativas e cargos comissionados. “Hoje são 32 secretarias. Eu governei com 16 secretarias muito bem. Hoje tem mais de 20 mil cargos em comissão”, acrescentou.

Polarização Política

A polarização política também foi tema da entrevista. Arruda afirmou que a população busca soluções práticas para os problemas da cidade. “Tem gente que divide as pessoas entre quem é de direita e quem é de esquerda. Eu tenho uma outra régua. Eu divido em quem é do bem e quem é do mal. Quem tem experiência para governar e quem não tem experiência para governar”, declarou.

O pré-candidato também criticou a relação entre o Executivo e a Câmara Legislativa, afirmando que o governo foi dividido politicamente para garantir apoio parlamentar. “Pegaram o GDF, fatiaram como se fosse um queijo e deram uma fatia de queijo para cada deputado para poder ter apoio. Não vai ser fácil fazer com que a política de Brasília volte a ser uma política com propósito de resolver os problemas da cidade”, concluiu.

  • Por Catielen de Oliveira e Francisco Neto

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