Programa de Lula para motoristas de aplicativo pode elevar endividamento, alerta economista

Governo anunciou R$ 30 bilhões em financiamentos para troca de veículos, mas especialista vê riscos fiscais, pressão na inflação e aumento da inadimplência

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(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O governo federal anunciou um programa de R$ 30 bilhões voltado à renovação da frota de motoristas de aplicativo e taxistas. A medida prevê linhas de financiamento para veículos de até R$ 150 mil e será destinada a trabalhadores que tenham realizado ao menos 100 corridas nos últimos 12 meses.

O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e faz parte do pacote econômico apresentado pelo governo nas últimas semanas.

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Durante entrevista ao programa TMC 360, a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, avaliou que a iniciativa se soma a outras medidas adotadas pelo governo para estimular a atividade econômica em meio à desaceleração observada nos últimos meses.

Segundo ela, fatores como juros elevados e perda de confiança no cenário econômico contribuíram para esfriar a economia, levando o governo a apostar em programas de incentivo ao consumo e ao crédito.

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A economista afirmou que a medida pode gerar efeitos positivos no curto prazo, ao movimentar o setor automotivo e ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores que dependem do carro para gerar renda. No entanto, ela alertou para os riscos de aumento do endividamento entre motoristas de aplicativo e taxistas, especialmente em um cenário de alta inadimplência no país.

Segundo Juliana, muitos profissionais já utilizam veículos financiados ou alugados e podem acabar assumindo novas dívidas sem garantia de aumento suficiente na renda para arcar com os custos do financiamento. Ela destacou ainda que, mesmo com juros reduzidos, as taxas continuam significativas e exigirão um volume constante de corridas para que os trabalhadores consigam manter os pagamentos em dia.

A professora também avaliou que medidas desse tipo podem pressionar as contas públicas e aumentar a inflação nos próximos meses. Para ela, a ampliação de crédito subsidiado tende a elevar o esforço do Banco Central para controlar os preços, o que pode resultar em juros altos por mais tempo. “O governo tenta aquecer a economia agora, mas o efeito colateral pode ser uma desaceleração mais à frente”, afirmou.

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