Motor da economia dos EUA dá sinais de cansaço, e isso pode mexer com o mundo

Os Estados Unidos criaram apenas 57 mil vagas de trabalho em junho, bem abaixo do esperado. O resultado reforça a percepção de que a maior economia do planeta está desacelerando

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calculadora, moedas e notas de dólares
(Foto: Sasun Bughdaryan/Unsplash)

O mercado de trabalho dos Estados Unidos perdeu força em junho.

Segundo o relatório oficial divulgado nesta quinta-feira (02/07) pelo Departamento do Trabalho, a economia americana criou 57 mil vagas de emprego, menos da metade do que o mercado esperava e o pior resultado dos últimos meses. Além disso, os números de abril e maio foram revisados para baixo, indicando que a desaceleração já vinha acontecendo.

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A taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, mas isso não significa, necessariamente, um mercado mais aquecido. O principal motivo foi a saída de centenas de milhares de pessoas da força de trabalho — ou seja, muita gente deixou de procurar emprego e, por isso, deixou de ser contabilizada como desempregada. A taxa de participação da população no mercado de trabalho caiu para 61,5%, o menor nível em mais de cinco anos.

Os dados mostram um cenário de empresas mais cautelosas para contratar, em meio à inflação ainda elevada e às incertezas econômicas provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã. Os setores de saúde, assistência social e serviços profissionais continuaram contratando, mas lazer e turismo perderam vagas.

Após a divulgação do relatório, investidores reduziram as apostas de que o Federal Reserve, o banco central americano, voltará a elevar os juros no curto prazo.

A Casa Branca, por sua vez, afirmou que os números demonstram a resiliência do mercado de trabalho e atribuiu o desempenho à agenda econômica do presidente Donald Trump.

O que isso importa?

Quando a economia dos Estados Unidos desacelera, os efeitos costumam ultrapassar as fronteiras do país.

Um mercado de trabalho mais fraco reduz a pressão para novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Se os juros americanos pararem de subir — ou até começarem a cair no futuro —, ativos de países emergentes, como o Brasil, podem se tornar mais atrativos para investidores.

Ao mesmo tempo, uma desaceleração da maior economia do mundo também pode reduzir o ritmo do comércio global e afetar a demanda por produtos brasileiros, especialmente commodities.

Em outras palavras: um relatório de emprego divulgado em Washington ajuda a definir o comportamento do dólar, dos mercados financeiros e parte do cenário econômico que chega ao bolso dos brasileiros.

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