Quatro policiais militares foram indiciados pela Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo por oferecer proteção armada a dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O inquérito foi concluído após apuração que identificou pagamentos irregulares, uso de empresas de fachada e vínculos com suspeitos de lavagem de dinheiro.
Segundo O Globo, os diretores protegidos pelos PMs são Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e Cícero de Oliveira, o Té. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ambos atuam como operadores de lavagem de dinheiro. Em abril de 2024, a Transwolff e a UPBus foram alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo MP-SP por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento à facção.
Como o esquema funcionava
O capitão Alexandre Paulino Vieira é apontado como o organizador central da estrutura. Conforme o relatório da Corregedoria, ele definia os pagamentos, montava as escalas de serviço e recrutava outros agentes. Para receber os valores, usava uma empresa de consultoria registrada em nome de sua mãe, que emitia notas fiscais sem respaldo em serviços reais.
O capitão Alexandre atuava na assessoria militar da Câmara Municipal de São Paulo desde 2014 e foi ajudante de ordens do então presidente da Casa, Milton Leite, a partir de 2017. Ao longo desse período, a Câmara teve cinco presidentes diferentes: José Américo, Antonio Donato, Eduardo Tuma, Ricardo Teixeira e o próprio Milton Leite, do União Brasil.
O tenente-coronel José Henrique Martins Flores também foi indiciado. De acordo com a Corregedoria, ele usava empresas de fachada para oferecer serviços de portaria e escolta armada à Transwolff. Outros dois indiciados são o sargento Nereu Aparecido Alves e o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário.
Um trecho do inquérito chama atenção: em 18 de agosto de 2023, o sargento Nereu justificou um atraso em uma escolta informando que estava presente na inauguração de uma creche municipal ao lado de um vereador.
Vínculo financeiro com Milton Leite
O relatório da Corregedoria também apontou indícios de relação financeira entre a Transwolff e Milton Leite. A Construtora Neumax, da qual Leite é sócio, recebia R$ 812 mil mensais da empresa de ônibus pelo aluguel de imóveis na Zona Sul de São Paulo. O valor é apontado como três vezes acima da média de mercado para imóveis semelhantes.
Em nota, Milton Leite negou irregularidades. Afirmou que o vínculo com o capitão Alexandre foi estritamente profissional e que o oficial trabalhou na assessoria militar sob cinco presidentes diferentes. Leite também negou que o sargento Nereu o chamasse de chefe e sustentou que o contrato de aluguel com a Transwolff é inferior ao preço de mercado.
Em depoimento à Corregedoria, o capitão Alexandre declarou ter mantido relação exclusivamente funcional com Milton Leite e afirmou que jamais prestou qualquer serviço particular ao ex-presidente da Câmara, nem atuou em sua escolta pessoal.
A defesa do capitão Alexandre contestou o andamento da investigação. Segundo os advogados, as apurações têm se estendido por tempo exagerado, sem fundamentação legal, mantendo a custódia por tempo indeterminado. A defesa também descreveu o cliente como uma pessoa íntegra e profissional exemplar, sem relação com qualquer prática criminosa.




