O encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, representou um feito relevante para a articulação internacional do bolsonarismo, especialmente para Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que vivem nos Estados Unidos e, ao longo dos últimos anos, consolidaram interlocução com grupos conservadores ligados ao trumpismo.
Ainda que breve, a reunião produziu forte repercussão política e ocupou parte significativa do noticiário nacional, recolocando em disputa a narrativa sobre quem possui maior acesso e influência junto ao entorno político da Casa Branca. E isso foi tudo, esse foi 100% do resultado alcançado.
Para além disso, as coisas seguem como estavam, e o fato não substitui nem ofusca a grande pedra no sapato do filho “zero um” do ex-presidente Jair Bolsonaro: os áudios e encontros com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Estruturalmente, o movimento é insuficiente para interromper de forma definitiva a crise de reputação enfrentada por Flávio Bolsonaro desde a divulgação de suas conversas com o ex-banqueiro.
Enquanto a viagem aos Estados Unidos ganhava alguma repercussão, os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master continuavam avançando no Brasil — e, aí sim, dominando o noticiário. Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro e aliado histórico do bolsonarismo, voltou a ser alvo de uma nova operação da Polícia Federal, a segunda em menos de quinze dias.
O desgaste político também foi ampliado após declarações de Valdemar Costa Neto à GloboNews. Em entrevista considerada delicada para o entorno bolsonarista, o presidente do PL apresentou uma versão diferente daquela anteriormente sustentada por Flávio Bolsonaro sobre a visita feita a Daniel Vorcaro, atualmente em prisão domiciliar. Segundo Valdemar, o senador teria ido ao encontro do empresário “para ver se conseguia o restante do dinheiro”, reabrindo uma crise que o núcleo político tentava administrar desde a divulgação do caso.
Nos bastidores, a declaração foi interpretada como um episódio evidente de fogo amigo. O comentário acabou recolocando no centro do debate um tema que o bolsonarismo buscava deslocar do noticiário justamente no momento em que tentava capitalizar politicamente a repercussão internacional do encontro na Casa Branca.
Em suma, o aceno internacional na Casa Branca funcionou apenas como uma cortina de fumaça temporária. O movimento foi insuficiente para mascarar o avanço das investigações sobre o Banco Master, o fogo amigo de Valdemar Costa Neto e a pressão da Polícia Federal sobre aliados. No fim das contas, a agenda em Washington serviu para alimentar narrativas nas redes sociais, mas falhou em estancar o desgaste político que hoje cerca o filho “zero um” do ex-presidente.