A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Wi-Fi Livre contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental investigada por suspeita de fraude em contrato com a Prefeitura de São Paulo. O instituto pertence a Karina Ferreira da Gama, uma das sócias da Go UP Entertainment Ltd, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Poucas horas após a operação, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou qualquer relação entre a investigação e a obra cinematográfica. “(Não) tem nada a ver com o filme”, disse rapidamente o pré-candidato à Presidência da República, em evento no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (01/06).
O deputado federal Mario Frias também é citado no contexto da investigação, embora os detalhes de sua participação não tenham sido divulgados pelas autoridades. Ele ainda não se manifestou a respeito da operação.
O acordo entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo previa a instalação e manutenção de pontos de acesso à internet sem fio em comunidades da cidade.
O contrato original foi ampliado por aditivos e chegou a R$ 157,1 milhões. Segundo autoridades policiais, cerca de R$ 26 milhões teriam sido repassados à ONG sem que os serviços correspondentes fossem efetivamente prestados. O escopo do acordo envolvia 5.000 pontos de acesso à rede wi-fi público.
O caso ganhou repercussão porque o ICB é ligado a Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment. A empresa é responsável pelo filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Origem do inquérito
A investigação partiu de denúncia apresentada por Leonardo Carvalho Bastos, membro do conselho de ética do PT de Sapucaia do Sul, ao Ministério Público Federal. A partir daí, o Ministério Público estadual requisitou a abertura de inquérito pela 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), vinculada ao Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC).
A Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital acompanha o caso. A operação desta segunda-feira é o primeiro resultado concreto desse inquérito.
Leia mais: “O que a produtora do filme de Bolsonaro fez antes de ‘Dark Horse’?”, questiona Dani Lima
As suspeitas abrangem irregularidades na fase de licitação — o processo de seleção pública do fornecedor — e também na execução do contrato, com possível desvio de verbas públicas.
A Prefeitura de São Paulo rebateu as suspeitas. Em nota, a administração municipal declarou que repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade.




