Acusado de articular contratos para desvio de recursos em prefeituras do Rio de Janeiro já havia sido investigado

O empresário Luiz Paulo Matos de Aquino é acusado de ter ligações com o Comando Vermelho

Por , Rio de Janeiro | Atualizado em:
Marcos Aquino, à esquerda, e Luiz Paulo Matos de Aquino, à direita | Foto: Reprodução/Família Aquino Oficial

O homem acusado de ser o articulador entre o núcleo empresarial que direcionava contratos para desviar recursos de prefeituras na Baixada Fluminense e agentes públicos já esteve na mira de outras investigações nos últimos anos. 

O empresário Luiz Paulo Matos de Aquino, irmão do vereador de São João de Meriti Marcos Aquino, é acusado de ter ligações com o Comando Vermelho. 

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O Ministério Público do Rio denunciou o deputado estadual Rafael Nobre; o vereador de São João de Meriti Julio Riccardo dos Santos Henrique, conhecido como Magrão Nobre; e outras oito pessoas pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. 

De acordo com as investigações do MPRJ, quatro empresas atuavam como um único grupo econômico, simulando concorrência em licitações por meio de sócios “laranjas”, propostas previamente combinadas e compartilhamento de estrutura administrativa. Os recursos obtidos com as fraudes eram ocultados por meio de transferências entre as empresas e integrantes da organização, depósitos fracionados em espécie, saques de altos valores e utilização de empresas intermediárias para dificultar o rastreamento dos recursos.

Entre as empresas utilizadas no esquema está a Nutrifoods Refeições Ltda., de propriedade de Luiz Paulo Matos de Aquino. Com sede em Nilópolis, na Baixada Fluminense, a empresa venceu a concorrência para fornecer kits de alimentação para a Prefeitura de Japeri, a partir de 2017.

De acordo com a denúncia do MPRJ, Luiz Paulo teria atuado como articulador entre o núcleo empresarial e agentes públicos, participando de negociações relacionadas a contratos, pagamentos e vantagens indevidas.

Para além das fraudes em licitações, o documento também descreve a prática de falsidade ideológica para a constituição e alteração de empresas. Foram identificados registros na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro que conferiam aparência de legalidade às empresas, embora o comando efetivo permanecesse com integrantes do núcleo político da organização criminosa.

Nesta quinta-feira (16/07), agentes do Ministério Público do Rio cumpriram nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos políticos denunciados. Entre eles, estavam o gabinete do deputado na Alerj, a Câmara Municipal de São João de Meriti, além de imóveis localizados no bairro de Jardim América, na capital fluminense, e nos municípios de Nilópolis e Mesquita, na Baixada. 

LEIA MAIS: MPRJ pede perda de mandatos de parlamentares denunciados por esquema de desvio de recursos

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