Governo reage à investigação dos EUA, rejeita acusações de trabalho forçado e cogita reciprocidade

Palácio do Planalto alerta que poderá reagir caso novas tarifas sejam impostas aos produtos brasileiros

Por Muryllo Hernandez | Atualizado em
Lula em reunião ministerial ao lado de Geraldo Alckmin e da ministra da Casa Civil
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal reagiu oficialmente à conclusão preliminar de uma investigação dos Estados Unidos sobre o combate ao trabalho forçado. Em nota divulgada nesta quarta-feira (03/06), o Palácio do Planalto afirmou que recebeu com indignação o resultado da apuração e contestou as críticas feitas ao Brasil.

A investigação faz parte de uma série de análises realizadas pelo governo norte-americano para avaliar práticas comerciais adotadas por outros países. Dependendo do resultado, os Estados Unidos podem aplicar medidas comerciais contra as nações investigadas.

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No caso mais recente, foram avaliadas 60 economias em relação ao combate à circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Como resultado preliminar, o órgão responsável propôs tarifas extras entre 10% e 12,5% sobre produtos importados desses países, incluindo o Brasil.

Governo contesta conclusões

Na nota oficial, o governo brasileiro afirma que as conclusões dos Estados Unidos desconsideram avanços recentes na legislação e nas políticas públicas de combate ao trabalho análogo à escravidão.

O texto destaca que o Brasil é reconhecido internacionalmente pelas ações de fiscalização, responsabilização de empregadores e proteção às vítimas. O governo também lembra que, em fevereiro deste ano, promulgou o Protocolo de 2014 da Convenção nº 29 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), reforçando os compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado.

Segundo o Planalto, informações técnicas foram apresentadas às autoridades norte-americanas durante a investigação para demonstrar as medidas adotadas pelo país na prevenção e no combate às violações trabalhistas.

Aceno à reciprocidade

Além de rejeitar as conclusões da investigação, o governo sinalizou que poderá reagir caso as medidas avancem.

A nota cita a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional neste ano, que permite ao Brasil adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas aos produtos brasileiros.

Apesar das críticas, o governo afirma que continuará buscando uma solução por meio do diálogo diplomático e das negociações comerciais com os Estados Unidos.

Escalada da tensão comercial

A manifestação acontece em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Nos últimos dias, autoridades norte-americanas anunciaram novas investigações envolvendo o país e discutem a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O tema ganhou destaque dentro do governo federal e foi tratado durante uma reunião ministerial realizada nesta quarta-feira no Palácio do Planalto.

A expectativa é que as discussões avancem nas próximas semanas. Antes de uma decisão definitiva sobre as novas tarifas, o governo norte-americano ainda deverá realizar consultas públicas.

Leia mais: Após pressão dos EUA, Lula ataca Rubio e diz que vai buscar novos aliados comerciais

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